Quando o espelho mente: uma reflexão sobre o desprezo dado às artes (II) 

Por Afonso Lopes Vivemos numa época em que parecer jovem parece ser quase uma obrigação. Temos cremes para cada ruga, tratamentos para cada marca, filtros para cada fotografia e aplicações capazes de transformar completamente um rosto em poucos segundos. Nunca tivemos tantos instrumentos para alterar a nossa aparência e, talvez por isso mesmo, nunca tenhamos tido tanta dificuldade em aceitar aquilo que somos. Olhamos para o espelho à procura da imagem que queremos ver, e não necessariamente daquela que ele nos devolve. Mas, curiosamente, esta obsessão não nasceu connosco. Há mais de duzentos anos, Francisco de Goya já tinha percebido tudo.  É precisamente por isso que uma pintura como «Las Viejas», também conhecida como «¿Qué tal?», continua a ser tão desconcertante. Pintada entre 1810

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Setembro e os novos projetos 

Por João Filipe Oliveira Setembro tem esta particularidade de nos sugerir, no nome, o número sete, quando na verdade é o mês número nove no nosso calendário. Tal como outubro remete para oito, novembro para nove e dezembro para dez. É a memória do tempo em que o ano se iniciava em março, em vez de janeiro. É por isso que os últimos meses do ano conservam nomes um pouco enganadores.  Inícios de ano, evidentemente, são uma convenção social e tanto podem ocorrer em janeiro, como em março, como em setembro.  Aliás, psicologicamente para a maioria de nós, o ciclo começa agora, depois das férias. Depois de umas semanas com

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