Não à guerra, sim à Paz!
Por Padre Jorge Guarda
Há líderes que ficam incomodados e reagem agressivamente contra quem desaprova os seus inaceitáveis atos de injustiça e guerra. Isto está a acontecer agora com os líderes americanos que atacaram e injuriaram o Papa Leão XIV por este se opor às suas políticas de guerra. Na sua viagem a África, o Pontífice declarou não querer entrar em debate com o líder americano e não ter medo dele, mas tão só que a sua “mensagem é o Evangelho” e continua “a falar com força contra a guerra”.
Leão XIV promoveu uma vigília de oração pela Paz, em Roma, no passado dia 11. Na ocasião, teve uma intervenção em que afirmou, com palavras lapidares, que “a guerra divide, a esperança une. A prepotência oprime, o amor eleva. A idolatria cega, o Deus vivo ilumina”. Denunciou o “delírio de omnipotência que se torna cada vez mais imprevisível e agressivo à nossa volta”, os “equilíbrios gravemente desestabilizados” na família humana, o arrastar do “Santo Nome de Deus, o Deus da vida, para os discursos de morte”, o desaparecimento de “um mundo de irmãos e irmãs com um único Pai nos céus” e que, “como num pesadelo, a realidade enche-se de inimigos”. E com vigor, clamou: “Basta com a idolatria de si mesmo e do dinheiro! Basta com a ostentação da força! Basta com a guerra!”.
Neste contexto, apontou a oração como meio poderoso de invocar a paz. Ela “ensina-nos a agir” e através dela “as limitadas possibilidades humanas unem-se às infinitas possibilidades de Deus. Pensamentos, palavras e obras rompem, assim, a cadeia demoníaca do mal e colocam-se ao serviço do Reino de Deus: um Reino onde não há espadas, nem drones, nem vinganças, nem banalização do mal, nem lucro injusto, mas apenas dignidade, compreensão e perdão”.
Para o Papa, a oração verdadeira muda o coração e os comportamentos. Com efeito, “quem reza não mata nem ameaça com a morte, mas tem consciência dos próprios limites. Em vez disso, é escravo da morte aquele que virou as costas ao Deus vivo, para fazer de si mesmo e do próprio poder o ídolo mudo, cego e surdo (cf. Salmo 115, 4-8), ao qual sacrifica todos os valores e diante do qual pretende que o mundo inteiro se ajoelhe”. Não são palavras meigas, estas de Leão XIV. E aos responsáveis das nações, com força, clama: “Parai! É tempo de paz! Sentai-vos às mesas do diálogo e da mediação, não às mesas onde se planeia o rearmamento e se deliberam ações de morte!”
Ao fazer e recomendar a oração, o pontífice americano apela à união e ação as “forças morais e espirituais de milhões, de milhares de milhões de homens e mulheres, de idosos e de jovens que hoje acreditam na paz, que hoje optam pela paz, que cuidam das feridas e reparam os danos deixados pela loucura da guerra”. Sobre todos recai a missão de construir a paz como artesãos: “A oração compromete-nos a converter o que resta de violência nos nossos corações e nas nossas mentes: convertamo-nos a um Reino de paz que se edifica dia após dia, nas casas, nas escolas, nos bairros, nas comunidades civis e religiosas, tirando espaço à polémica e à resignação com a amizade e a cultura do encontro. Voltemos a acreditar no amor, na moderação, na boa política. Formemo-nos e impliquemo-nos em primeira pessoa, cada um respondendo à sua vocação. Cada um tem o seu lugar no mosaico da paz!”
Quem não está de boa consciência e retidão a promover a guerra reage com irritação a estas palavras de profeta que vê o mal e o denuncia com veemência. Pelo contrário, quem realmente deseja a paz e a justiça, acolhe com esperança quem lhe ilumina o caminho de futuro. Sejamos destes e não daqueles!
