Tudo se paga!
Editorial por Francisco Pereira
É recorrente ouvirmos dizer que “não há almoços grátis”. Hoje, parece que nem as necessidades mais básicas escapam a essa lógica. No terminal rodoviário de Fátima, quem precisar de usar a casa de banho tem de pagar. Trata-se de algo tão essencial que custa aceitar que esteja condicionado a uma moeda. Este problema não é novo, mas continua atual, e quem por lá passa apercebe-se dos incómodos e reclamações gerados pela situação.
É certo que vivemos num tempo em que quase tudo tem um preço. Mas será aceitável cobrar por uma necessidade fisiológica, ainda por cima num espaço de utilização pública dedicado ao transporte de passageiros? Não estamos a falar de um serviço extra ou de luxo, mas tão só de algo indispensável.
O caso não é único e, por exemplo, no terminal de Sete Rios, em Lisboa, quem não tiver trocos é impedido de usar a casa de banho. Estranha-se que isto aconteça numa altura em que a lei obriga os restaurantes a disponibilizarem instalações sanitárias aos seus clientes e quando até nas áreas de serviço das autoestradas elas são de livre acesso.
A nossa região, pela sua centralidade, encontra-se bem servida em termos do transporte rodoviário de passageiros, e o terminal de Fátima, pela sua vasta oferta de ligações e horários, possibilita a rápida deslocação de e para Fátima e territórios adjacentes. Além de parecer que as instalações daquele terminal estão já aquém da atual procura, julgo também que exigir um pagamento para se poder usar a casa de banho, num espaço que serve milhares de pessoas, é um péssimo cartão de visita para Fátima e toda a região envolvente.
Fátima, que recebe cada vez mais visitantes, superando já os números pré-pandemia, deve primar pela hospitalidade. Manter instalações limpas e seguras é uma obrigação de quem explora estes espaços. Não deve ser um serviço à parte, mas antes parte integrante do serviço que é suposto ali ser prestado. É esta a minha perspetiva.
