Cristina Pereira substitui Rita Sousa e ocupa lugar do Chega no executivo municipal
Cristina Pereira garante que ocupa a cadeira do Chega com o objetivo de “escrutinar o poder instalado” e “apresentar propostas”. Na lista de prioridades coloca o acompanhamento e a resposta às vítimas das recentes intempéries e garante que “a seu tempo” vai pedir uma auditoria externa à Câmara Municipal.
CARLA PAIXÃO
A Câmara Municipal de Ourém volta a contar com a representação do Chega no executivo, após um período de indefinição causado por sucessivas renúncias e recusas. Cristina Maria Gonçalves Pereira, quinta na lista do partido nas últimas eleições autárquicas, foi convocada para assumir funções na próxima reunião de Câmara e confirmou ao Notícias de Ourém que aceitou o desafio “de imediato, sem hesitar”.
A oportunidade surgiu na sequência da renúncia da ex-vereadora Rita Sousa, formalizada a 3 de março. Seguiram-se as recusas de Natalina Vieira (com assento na Assembleia Municipal), Luís Alves e Mário Pereira, o que levou à chamada da candidata seguinte. “Nunca me passou pela cabeça que iria chegar até mim”, afirma Cristina Pereira, admitindo, no entanto, que, perante o desenrolar dos acontecimentos, começou a “preparar-se mentalmente” para assumir a representação do Chega no executivo.
Natural do concelho de Ourém, Cristina Pereira apresenta um percurso profissional com experiência nas áreas administrativa, comercial, educativa e de gestão. É licenciada pelo ISLA de Lisboa (atual Universidade Europeia) e exerceu funções em entidades como a FOMENTO – Cooperativa de Centros de Ensino e a ARGICER, tendo igualmente sido formadora no Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP). Mais recentemente, regressou ao setor da educação, onde desempenha funções em Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC) com alunos do 1.º ciclo, bem como no ensino doméstico até ao 5.º ano.
No que toca à política, exerce funções como coordenadora da concelhia de Ourém. O seu envolvimento partidário teve início em 2019 e, segundo a própria, surgiu motivado por preocupações relacionadas com conteúdos que observava no contexto educativo e mediático. “Nunca tive grande interesse pela política. Mas, em 2019, comecei a ficar preocupada com as questões da ideologia de género, com o que via nas escolas e na comunicação social, até nos desenhos animados. Parecia-me quase abusivo. Percebi que tinha de fazer alguma coisa”, afirma, acrescentando que, após procurar informação, decidiu filiar-se no Chega por considerar que era o partido que mais se opunha a essas matérias.
“Vamos pedir uma auditoria externa à Câmara Municipal”
Sobre o papel que pretende desempenhar no executivo municipal, Cristina Pereira diz que vai assumir uma postura de vigilância e colaboração. “Vou fazer escrutínio, apresentar propostas e alertar para situações que possam ser graves”, afirma. A nova vereadora diz querer contribuir “dentro das suas possibilidades”, privilegiando um trabalho de proximidade com a população.
Como prioridade imediata aponta o acompanhamento das consequências das recentes intempéries que fustigaram o concelho de Ourém. “As pessoas estão muito preocupadas, sobretudo com a chegada do calor e os caminhos obstruídos”, refere, destacando também preocupações em Fátima, numa altura de maior afluência de peregrinos. Nesse sentido, garante que irá intensificar o contacto com as populações e visitar as zonas mais afetadas.
A médio prazo, Cristina Pereira aponta a necessidade de aprofundar o conhecimento sobre a realidade local e admite a intenção de propor medidas estruturais. “Uma das nossas propostas é a realização de uma auditoria externa à Câmara Municipal”, revela, sublinhando que essa ideia “não está esquecida e também é prioritária”, apesar de, para já, o foco estar nas respostas às situações mais urgentes.
Confiante no apoio da estrutura local do partido, a nova vereadora da CMO assume o desafio com “determinação”. “Temos uma equipa coesa e trabalhadora. Vamos trabalhar para dignificar o partido e ajudar todos os oureenses”, afirma.
Enquanto presidente da concelhia, Cristina Pereira admite que tem acompanhado com atenção as recentes alterações na estrutura local, nomeadamente as renúncias de Rita Sousa no executivo municipal e de Sílvia Neves na AMO, bem como a não aceitação de mandatos por parte de alguns elementos da lista à CMO.
Questionada sobre estas saídas, não valoriza a situação e refere que se tratam, sobretudo, de “decisões pessoais e profissionais”. “A maior parte das situações prende-se com questões de vida de cada um, com trabalho e responsabilidades familiares”, refere, notando que “saem uns, mas que, os que ficam vão continuar a trabalhar”.
Num concelho onde o PSD mantém uma presença consolidada há vários anos, Cristina Pereira considera que o próximo ciclo autárquico será “decisivo”. “O nosso trabalho vai ser muito escrutinado, mas também iremos escrutinar a maioria [PSD/CDS-PP]”, reforça, apontando esse equilíbrio como “fundamental” para afirmar o partido no panorama político local.
“Queremos chegar a todo o concelho, desde as cidades de Fátima e Ourém, até às freguesias mais afastadas, e fazer um trabalho de proximidade”, conclui, dirigindo-se diretamente aos munícipes oureenses.

