Antigo Colégio Fernão Lopes: Uma ideia de futuro diferente
Por Nuno Batista
Já passou mais de um mês sobre a tempestade Kristin. É tempo de avançar e de continuar a reconstrução do que foi afetado. Ainda assim, tenho a sensação de que infelizmente terei de voltar a este tema. O meu “feeling” é que o Estado central poderá voltar a falhar com estas populações, como tantas vezes acontece quando chega o momento de transformar promessas em apoios concretos, no caso o pagamento dos estragos.
Dito isto, também importa reconhecer boas decisões. A Câmara Municipal de Ourém fez bem em adquirir o antigo Colégio Fernão Lopes, na cidade de Ourém. Trata-se de um investimento relevante e foi anunciada a intenção de ali construir uma nova biblioteca municipal. A decisão faz sentido, até porque a atual biblioteca funciona num edifício que não foi pensado para esse fim e que ainda por cima implica uma renda mensal elevada.
No entanto, existe na cidade um espaço que poderia ser ainda mais adequado para acolher a futura biblioteca. Refiro-me às atuais instalações da Autoridade Tributária em Ourém (espaço que bem conheço por razões profissionais), que deverão ficar vazias com a transferência destes serviços para a futura Loja do Cidadão, cuja abertura está prevista ainda para este ano. Estamos a falar de um edifício praticamente ideal para uma biblioteca: central, próximo de uma escola secundária, junto aos Paços do Concelho e com um parque de estacionamento subterrâneo a poucos metros. Ou seja, um equipamento cultural colocado exatamente onde deve estar: no coração da cidade e acessível a todos.
Se essa solução fosse considerada, o antigo Colégio Fernão Lopes poderia ter um destino igualmente estratégico. Ali deveria nascer o primeiro albergue público dedicado aos Caminhos de Fátima. O potencial destes caminhos continua largamente desaproveitado e falta, no nosso concelho, uma infraestrutura de apoio digna para quem chega a pé, a caminho de Fátima.
Valorizar os Caminhos de Fátima poderia ser precisamente a peça que falta para ligar o resto do concelho ao enorme potencial turístico que Fátima gera. Todos sabemos que milhões de pessoas passam por Fátima, mas poucas conhecem verdadeiramente o território envolvente. Os caminhos podem e devem ser essa ponte.
Para quem, como eu, já percorreu os Caminhos de Santiago de Compostela, é impossível não sentir alguma frustração ao ver um potencial tão semelhante continuar por explorar no nosso concelho.
Fica a ideia. Uma proposta construtiva, mas também um desafio: transformar boas intenções em decisões estratégicas que façam realmente a diferença no futuro de Ourém.
