Também erramos
Editorial por Francisco Pereira
Os erros também acontecem nos jornais. Pode ser uma letra trocada, um nome ou apelido escrito de forma errada, uma palavra que ficou cortada, outra que simplesmente ficou esquecida, uma informação incorreta ou até uma gralha que passou por todos os olhos e só foi descoberta depois de o jornal já estar nas bancas.
Os erros podem e devem ser evitados. E quem está do outro lado da página é, provavelmente, quem mais “sofre” com eles. Fica o arrependimento de não ter lido o texto uma vez mais, a frustração de perceber que algo nos escapou, a sujeição à crítica ou à incompreensão e, sobretudo, a responsabilidade de lidar com a falha.
Num jornal como o Notícias de Ourém há, porém, um fator determinante: somos pessoas e as pessoas erram. Não somos máquinas e, por isso, não conseguimos atingir a perfeição. Isso não significa que aceitemos o erro como algo inevitável ou que queiramos baixar a exigência. Pelo contrário, sabemos que há sempre margem para melhorar, mais uma leitura para fazer, mais uma atenção a ter, mais um cuidado a acrescentar.
Mas vivemos também numa época de pouca tolerância ao erro. Basta olhar para as redes sociais. Quem erra, ou simplesmente expressa uma opinião diferente, é rapidamente achincalhado ou até ofendido. Apontamos logo o dedo sem antes tentar perceber o contexto, as circunstâncias ou a intenção por detrás daquela opinião divergente ou daquele erro. Quem erra não deve ficar isento de responsabilidade, mas também não pode ser condenado sem direito a explicação, correção ou contexto.
O erro faz parte da condição humana, no entanto, a indiferença perante o erro não pode fazer parte do jornalismo. Por isso, quando acontece, há que assumi-lo, corrigi-lo e aprender com ele. Mais ainda, há que procurar que aconteça cada vez menos e que, quando acontecer, seja um erro pequeno, que não melindre, não prejudique e, acima de tudo, não ponha em causa aquilo que é mais importante num jornal: a confiança de quem o lê. Porque erramos, também aprendemos e, edição após edição, procuramos errar menos e fazer melhor.

