Viver em Gratidão
Por Padre Jorge Guarda
Não há ninguém que não goste de ser elogiado. O elogio manifesta apreço, reconhecimento e gratidão. São seus frutos uma maior autoconfiança, o incentivo e encorajamento para continuar a agir com a mesma qualidade e sentido. As palavras, gestos e sinais elogiosos fazem bem a quem os recebe e igualmente a quem os dá. O importante é que sejam sinceros e correspondam à verdade.
Na liturgia do passado domingo, os fiéis católicos escutaram o elogio que São Paulo, Silvano e Timóteo deram aos cristãos da comunidade de Tessalónica (1 Ts 1,1-5b). Os emissários da carta dizem-lhes que dão contínuas graças a Deus por eles nas suas orações. Os motivos estão na sua memória do modo como o Evangelho foi anunciado naquela cidade, “não somente com palavras, mas também com obras poderosas com a ação do Espírito Santo”, como os tessalonicenses acolheram Jesus Cristo e nele acreditaram e como, a partir de então, vivem ativamente a sua fé, se esforçam por praticar a caridade e se mantêm firmes da esperança. As palavras daqueles líderes cristãos seguramente encheram de alegria os destinatários da carta e incentivaram-nos a prosseguirem no mesmo estilo de vida cristã que motivava aquela a ação de graças.
Também os fiéis católicos de hoje são chamados a viver sempre em gratidão. Manifestam-no na sua relação pessoal e comunitária com Deus, nomeadamente pela oração quotidiana. É esse também o motivo principal para a participação dominical na Eucaristia: agradecer a Deus pelas suas obras e por todos os benefícios que nos concedeu e concede por Jesus Cristo. Participar juntos na liturgia exprime também reconhecimento e gratidão por quem nos transmitiu, fortalece e testemunha a vivência da fé cristã. Recebemos este dom e ele mantém-se e cresce em nós com a ajuda da comunidade cristã e de outros fiéis que nos incentivam na sua vivência.
A nossa gratidão alarga-se a quantos nos deram a vida e a sustentam, a quem nos educou e nos deu oportunidades e ajuda para crescermos e continuarmos a viver. Os pais são os primeiros a quem é devida esta gratidão. Se há muitos filhos que a praticam com grande amor, dedicação, presença, carinho e mesmo com grande esforço e sacrifício, há também quem seja ingrato, esquecendo os benefícios recebidos, virando as costas e até maltratando quem lhe deu vida. Não podemos deixar de ser gratos ainda para quantos nos ajudaram nas amizades, no trabalho, nas relações sociais e em muitas ocasiões da vida, mesmo sem nos conhecerem.
Na verdade, precisamos do bem, do serviço e do cudado uns dos outros. O poeta libanês Khalil Gibral, reconhecendo os benefícios que recebemos, pergunta: “Não era o vosso cuidado amigo pelos meus dias e pelas minhas noites que tornava o alimento mais saboroso ao meu paladar e coroava o meu sono em visões?” E de seguida agradece: “Bendigo-vos sobretudo por isso: dais muito sem saber que dais.” (O profeta, p. 121). É assim que a todo o momento e sempre devemos mostrar a nossa gratidão para com Deus e para com os nossos semelhantes.
Viver em gratidão esbate as nossas amarguras, cura os ressentimentos e desgostos, ativa a capacidade de perdoar e torna a vida mais confiante e feliz. Leva-nos a focar o nosso olhar mais nos benefícios que recebemos do que nas perdas e problemas que sofremos. Vivemos, portanto, mais felizes!
Não percamos nenhuma oportunidade para expressar a gratidão a Deus e aos nossos semelhantes.

