Democracia e liberdade 

Editorial por Francisco Pereira

Democracia e liberdade são valores conquistados com a revolução do 25 de Abril de 1974 e consolidados pela Constituição da República Portuguesa de 1976. Se o 25 de Abril nos libertou da ditadura e da opressão, a Constituição firmou esse caminho, instituindo um Estado de direito democrático assente na soberania popular, nos direitos fundamentais e na separação de poderes. 

A democracia é uma obra inacabada, em permanente construção. É um exercício contínuo, exigente e, por vezes, imperfeito. Vive da participação, do escrutínio, da responsabilidade e, sobretudo, da consciência histórica, essencial para não cairmos na tentação de acreditar ou defender que “antigamente é que era bom”. 

Mesmo reconhecendo alguns aspetos positivos do tempo do Estado Novo, como o equilíbrio das contas públicas, o rigor orçamental ou o desenvolvimento de importantes infraestruturas, não podemos esquecer que o preço pago foi a restrição dos direitos e liberdades fundamentais, pilares essenciais de qualquer democracia. 

Os desafios atuais na saúde, na habitação, ou nos serviços públicos em geral, não são uma consequência inevitável da democracia. São problemas políticos que exigem melhores escolhas, maior exigência e participação cívica. A resposta não está no regresso ao passado, nem na sedução por extremismos ou discursos populistas, mas antes no aprofundamento dos valores de Abril. 

Porque a democracia se constrói todos os dias, importa continuar a celebrar cada Abril, para que o de 74 não caia no esquecimento. E, em vez de olhar para trás com saudade, olhemos em frente com a ambição de aprofundar e consolidar a democracia e a liberdade.