Facilitar o caminho dos Peregrinos de Fátima

Por Padre Jorge Guarda

No princípio desta semana, em Ourém, estive com dois grupos de peregrinos. Foram acolhidos no centro pastoral paroquial, onde lhes foi servida uma sopa, confecionada e oferecida por gente solidária da cidade e da paróquia. Tiveram também a ajuda de massagistas da Cruz Vermelha, que vieram ao seu encontro, para cuidar das pernas e dos pés. Ali ficaram a dormir e, no dia seguinte, seguiriam para Fátima. Alguns estavam muito contentes por terem na sua companhia um número significativo de jovens. Há já muitos anos que fazem estas peregrinações. 

Conversei com dois organizadores, que me contaram os perigos que enfrentam por parte de certos condutores, mas também elogiaram outros que os protegem, para caminharem com segurança. Falaram da ausência de bermas cuidadas para evitar andarem pelas estradas e também da necessidade de caminhos a que tenham acesso os carros de apoio. É que, cada vez mais, os grupos de peregrinos já vêm organizados e amparados na alimentação, na saúde, na segurança, com guias e uma preparação prévia. 

Existem já, é certo, alguns caminhos preparados e identificados e rotas recomendadas. Por vezes – queixaram-se – das iniciativas para os retirar das estradas encaminhando-os por rotas mais longas que muitos evitam, pois precisam de ver reduzida e não prolongada a distância a percorrer para chegarem ao Santuário de Fátima. Quem traça os itinerários deveria ter feito algumas vezes os caminhos a pé para saber o que precisa quem os percorre como peregrinos. 

Ourém é a última etapa antes de chegar a Fátima. Não deveriam ser melhor pensados e cuidados os itinerários que ligam a sede do concelho ao Santuário mariano para facilitar a caminhada dos peregrinos a pé? Não basta fazer caminhos seguros, é preciso que sejam bem assinalados e todos os anos limpos. Parece-me ter ouvido já que há ideias nesse sentido, mas tardam a passar à prática. Se pelo menos fossem alargadas as bermas nos troços onde passam os peregrinos, já seria um bom e auspicioso sinal. É um desafio às autarquias e porventura a outros agentes e mesmo proprietários. 

No dia deste meu escrito, deparei-me com um santo que ajudou a preparar caminhos de peregrinos. Trata-se de São Domingos da Calçada (1060-1109), um presbítero castelhano que construiu pontes e caminhos para uso dos peregrinos que se dirigiam a São Tiago de Compostela e providenciou com grande piedade às suas necessidades nas celas e estalagens por ele preparadas. Precisamos de seguir hoje este bom exemplo. 

Os peregrinos precisam e o Concelho ficaria honrado com o acolhimento e o apoio prestados. Obviamente diminuiriam os riscos para a sua saúde e mesmo vida. Vamos a isso!