Setembro, que grande mês! 

Por Isabel Costa

A chegada do mês de setembro vem sempre repleta de memórias, mas também de promessas e projetos para os dias que se seguem. O novo ano civil começa em janeiro, tempo de brindes, desejos e votos para o ano que chega. Mas, para muitas pessoas, é verdadeiramente com setembro que surge um novo ano. 

O calendário escolar marca o início de um novo tempo na vida das crianças e dos jovens, das suas famílias e de toda uma grande comunidade. Pais, filhos, avós e um sem número de cidadãos (re)começam, (re)organizam e (re)tomam rotinas neste mês. 

Setembro traz consigo esse sentimento de recomeço: é tempo de voltar, de fazer planos e, muitas vezes, de concretizar aquilo que durante os meses anteriores fomos adiando. 

Os meses que ficaram para trás, marcados pelo sol, pelo calor e pelos dias longos, foram também tempos de convívio, de encontros e reencontros. Uns desfrutaram das férias, enquanto outros prosseguiram as suas atividades. Foram, essencialmente, meses de descontração, de sonhos, de projetos e de vontades renovadas. 

Quem não exprimiu ou, pelo menos, pensou, algo semelhante a: «A partir de setembro vou fazer isto…» ou «Vou começar algo novo…»? Depois de um período marcado por alguns excessos e prazeres, surge a necessidade de melhorar a alimentação; renasce a vontade de praticar exercício físico, em busca de uma vida mais saudável; e começa também a preparação para as habituais “doenças” do outono. 

São alguns dos desejos, propósitos e tarefas que nos propomos levar a cabo no mês de setembro… em todos os meses de setembro! 

Tal como em todos os outros meses, setembro traz consigo dias fantásticos, mas também dias de tristeza; dias de esperança e dias de desânimo. Os dias começam a diminuir e as noites a prolongar-se. A natureza inicia o seu período de regeneração: as folhas caem, preparando o caminho para que, mais tarde, novas folhas surjam, resplandecentes. 

E talvez seja também essa a grande mensagem de setembro: saber que é preciso deixar cair algumas folhas, alguns hábitos, algumas rotinas, para dar lugar ao que é novo. A natureza sabe fazê-lo todos os anos. Nós, seres humanos, nem sempre conseguimos fazê-lo com a mesma facilidade. 

«Setembro, que grande mês!» é também o título de uma trilogia da escritora Odette de Saint Maurice, avó das atrizes Inês e Maria de Medeiros. Os três volumes tinham como subtítulos “Os primeiros dias”, “Os dias do meio” e “Os dias do fim” e retratavam a vida na cidade e em família de jovens adolescentes durante o período das férias escolares. 

Durante muitos anos, nas décadas de 60 e 70 do século XX, o ano letivo iniciava-se, para todos os ciclos de ensino, no dia 7 de outubro. Setembro era, assim, um mês de transição, de expectativa e de preparação para o regresso às aulas. 

Era um mês vivido entre o fim das férias e a aproximação do novo ano escolar; entre os últimos dias de liberdade e a expectativa do reencontro com colegas, professores e rotinas. Talvez por isso, para tantas gerações, setembro tenha ficado associado a essa sensação tão particular de recomeço. 

Um mês de memórias, de regressos, de encontros e reencontros. Um mês de promessas e projetos. Um mês em que a natureza nos mostra que terminar também pode ser uma forma de começar. 

Por tudo isto, setembro é, sem dúvida, um mês fantástico. 

Um grande mês e um mês grande! 

Nota 1: 

Nos dias 4, 5 e 6 de setembro acontecem na Vila Medieval de Ourém, os “FINS DE TARDE NA VILA MEDIEVAL”. Durante estes três dias irão poder disfrutar e assistir nos diferentes espaços da Vila (Anfiteatro dos Torrões, Praça do Pelourinho, Escadinhas da Sociedade Filarmónica e Castelo de Ourém) a uma programação que tem como objetivo a premissa das edições anteriores “um cenário único que conjuga história e energia de uma programação musical contemporânea e diversificada”. 

Nota 2: 

As ruas da nossa cidade, como em todas as outras cidades, têm um nome, uma designação. Numa época em que a localização cada vez mais é definida por coordenadas e georreferenciação, tenho vontade de saber quem foram aquelas pessoas, qual a importância de alguns locais que deram o seu nome, qual a história daquela rua… E assim estão a ser dados os primeiros passos de um estudo. 

Se quiser colaborar, seja através de um registo fotográfico, de uma história, de alguma memória ou outro documento que possa contribuir para este trabalho, agradeço que partilhe comigo. 

Fica disponível o seguinte endereço: ruascomnome.ourem@gmail.com