O Dia dos Avós
Por Mário Albuquerque
Embora sem grandes, e visíveis, manifestações comunitárias, foi comemorado, no passado dia 26 de Julho, o DIA DOS AVÓS.
Um dia inspirado pelas ancestrais tradições da Igreja Católica que, consagrou este dia para homenagear as Figuras míticas de São Joaquim e Santa Ana, dedicados Pais de Maria e Avós de Jesus.
Representações de incomparável dimensão afetiva, espiritual e humana, enquanto privilegiado cimento da estrutura mais básica da sociedade, consubstanciada nos valores sublimes da FAMÍLIA.
Apesar de algumas pálidas referências publicadas, exceção feita a este semanário, e da importância do seu significado, não foram muitos os eventos alusivos, realizados, para comemorar a simbologia da efeméride.
Talvez estejamos numa estranha, e até destrutiva, deriva social, em que predominam outros centros de interesse, para alguns mais apelativos e “reluzentes”, reflexos das novas tendências dos estranhos tempos que passam, embora, incomparavelmente, menos expressivos, e mais efémeros, na sua mais profunda essência.
Talvez a fortuita espuma dos dias, como agora se diz, se sobreponha a outras causas mais nobres, representando uma inversão de valores, que se julgavam moralmente adquiridos e consolidados!
Na pequena reflexão que faço, reportada a esta matéria, não deixam de me acorrer tantas situações conhecidas, mormente quando visito alguns lares de idosos onde, gente de méritos afirmados, e não só, ali permanece, longe do carinho e ternura familiares, sem esperança, nem horizontes mais definidos e coloridos, quedando-se a olhar, vagamente, para um futuro distante, que já não passa de mera utopia.
Quatro paredes monótonas, alguma triste e desumana massificação, sonhos desfeitos, uma rotina disforme e amorfa, tantas saudades reprimidas e mitigadas!… Enfim… nada mais!
Apenas a patética espera pelo triste fim da caminhada!
Tudo já parece esquecido e desvalorizado, com as incontornáveis referências dos AVÓS a sofrerem uma perda de enorme valia, relegando-se para plano secundário tantas limitações e carências experimentadas, onde avultam o drama da emigração e a participação dramática numa guerra traiçoeira em longínquos solos africanos.
AVÓS que, no limite das suas forças, ainda há pouco, com o sorriso estampado nos rostos, acompanhavam os netinhos à Escola, nas noites longas de inverno eram o enlevo das crianças quando, no conforto de uma tradicional lareira, dramatizavam, com singular saber e doçura, tantas aventuras vividas, e belas histórias de enternecer.
AVÓS, FILHOS E NETOS, uma corrente geracional que encerra um precioso património a preservar, e a transmitir a presentes e vindouros, qual lastro forjado no tempo, onde repousam tantas experiências, ensinamentos e vivências, a maior, e mais expressiva, riqueza de um Povo.
Toda esta breve abordagem, alargada ao sentido universal da Família, apenas para enaltecer o papel dos AVÓS, a sua importância, e a necessidade da nossa Sociedade despertar, com maior ênfase, para esta realidade que, na crueza dos tempos, acaba por a todos contemplar.
Parece-me que estão a faltar iniciativas que visem recriar, com a participação do mais idosos, práticas, tradições e costumes antigos, englobando as mais jovens gerações, uma forma de animação construtiva, e pedagógica, que terá a particularidade de cultivar o presente com preciosas sementes do passado.
Iniciativas que poderão ser traduzidas numa nova dinâmica da sociedade, sustentada em maiores convívios sociais, mais frequentes contactos com a Natureza, mais afetos com estreita aproximação da Família e, como seria bonito, maior interligação com os netos em pequenos passeios de fim de semana!
BOM… SERÁ QUE DESPERTEI DE UM SONHO LINDO?

