Museu, para que te quero? 

Por Ana Carvalho

18 de maio é o dia da festa maior dos museus por todo o mundo. Em 2026, o Dia Internacional dos Museus (DIM) assume uma temática que, em tudo, tenta responder aos desafios contemporâneos – “Museus a unir um mundo dividido”. Pretende-se destacar o papel dos museus como pontes entre divisões culturais, sociais e geopolíticas, procurando promover o diálogo, a compreensão, a inclusão e a paz entre comunidades em todo o mundo. Conceito e apelo tão abrangentes como exigentes. 

As últimas décadas têm sido palco para um processo reflexivo sobre as “novas” funções que o Museu deve assumir no ideário museológico. O International Council of Museums (ICOM) assumiu, em 2022, um salto na definição de Museu ao juntar às funções tradicionais de conservação, investigação, incorporação, exposição e educação, inscritas na Lei-Quadro dos Museus (Lei 47/2004 de 19 de agosto), conceitos como a participação, reflexão, acessibilidade e inclusão, provocando uma pequena revolução no meio. 

Independentemente de nos alinharmos mais pela ala conservadora ou pela progressista, todos temos como certo que os museus são, hoje, muito mais do que espaços de aprendizagem, contemplação, silêncio e deferência, destinados apenas a alguns, numa imposição, também ela, ditada pela rigidez dos espaços, ideia que preenchia o nosso imaginário há umas décadas. 

Hoje os espaços museológicos, à semelhança da trajetória que seguiram outros equipamentos culturais, são espaços pensados para dar a conhecer as coleções, mas também para delas garantir um ponto de partida para a reflexão, criando pontes com o mundo que nos rodeia, nas suas mais diversas vertentes. Basta apreciar a programação promovida pelos museus portugueses que, nestes dias 18 de maio, apresentam concertos, teatro, cinema, abertura dos espaços das reservas, lançamento de livros, conferências, entre tantas outras dinâmicas que contrastam com as tradicionais. 

Apesar de associarmos esta refuncionalização do Museu às últimas décadas, a verdade é que esta responsabilidade é, intrinsecamente, assumida através do trabalho de proximidade que os museus promovem com as comunidades que servem. Estas vão deixando de ser apenas público que frui dos espaços e das suas dinâmicas, para passar a constituir-se como elemento fundamental, participando ativamente nos processos de criação das narrativas. 

Esta linha de raciocínio conduz-nos à recente e badalada abertura do Muzeu – Pensamento e Arte Contemporânea, que avoca como missão “a promoção do pensamento crítico e do ativismo social, tendo como ponto de partida a organização de ciclos de programação focados na arte contemporânea (…)”. Assume-se ainda como “um espaço democrático, com capacidade prospetiva, e terá a missão de influenciar quem elege nas escolhas de uma vida boa para todos.” O Muzeu, sedeado em Braga nasce da iniciativa privada do DST Group – que atua nas áreas da engenharia, construção, energia, ambiente e telecomunicações, num investimento superior a 40 milhões de euros, a partir da coleção privada de José Teixeira, CEO do grupo, reunindo cerca de 1500 obras de 240 artistas. Não sendo uma iniciativa consensual, desde logo pela nomenclatura que assume, e, independentemente das vozes que se fazem ouvir, é um movimento que rasga com as “regras” pré-estabelecidas e cujo conceito, para além da capacidade de nos inspirar, nos põe a pensar. 

Numa perspetiva mais ou menos progressista, no próximo dia 18 de maio aceite o convite e participe nos milhares de iniciativas gratuitas promovidas pelos Museus e celebre a cultura e a arte!