Agostinho Albano de Almeida, um legado a conhecer e salvaguardar 

Por Ana Carvalho

A história de Ourém é rica em personalidades marcantes nas mais diversas dimensões. Agostinho Albano de Almeida é um desses casos, ainda que o seu percurso seja pouco conhecido. Foi um dos ilustres membros da família Almeida, uma das famílias mais proeminentes e abastadas de Vila Nova de Ourém dos séculos XVIII e XIX. 

Agostinho Albano de Almeida, nascido em 1819, na Aldeia da Cruz, posteriormente denominada de Vila Nova de Ourém foi, sobretudo, um grande benemérito que deixou um legado que se perpetua até os nossos dias. 

Frequentou o ensino primário na Aldeia da Cruz e em outubro de 1836, com 17 anos, ingressa na Universidade de Coimbra para se licenciar em medicina. 

Terá integrado de imediato o Hospital Real das Caldas da Rainha e, em 1846, é nomeado pela Rainha D. Maria II como Médico do mesmo hospital. 

No Esboço Histórico do Concelho de Vila Nova de Ourém, Neves Elyseu tece algumas considerações sobre o médico referindo que Todos que o conhecem e apreciam, são testemunhas da mestria, e fino tacto com que exerce a clynica, a par do desinteresse com que acode aos doentes, indistintamente pobres ou abastados, que reclamam a sua assistência. 

Em 1876 regressa a Vila Nova de Ourém onde, de acordo com as fontes, replica o mesmo tipo de cuidados médicos, valendo sempre aos mais desfavorecidos, até à data da sua morte que ocorre em 1890. 

Apesar do impacto de que se revestiu a sua atuação enquanto médico e cidadão, o seu legado está sobretudo ligado à criação do Hospital da Vila que, a seu pedido, vem a receber o seu nome. 

Recuemos a 1885, ano que que Agostinho Albano de Almeida redige o seu testamento, dividindo os seus bens por cinco grupos de beneficiários: a sua irmã Henriqueta Cândida de Almeida; a Irmandade do Santíssimo Sacramento da freguesia de Nossa Senhora da Piedade; os seus empregados, em particular a Maria Joze dos Santos e António Pereira, a quem deixa pensões anuais vitalícias e à referida creada (…), a cama em que ella dormir com todos os seus pertences e mais doze (12) lençoes novos de linho. Deixo mais […] o usofruto victalicio […] das minhas cazas baixa sitas à praça desta Villa Nova d’Ourém onde habito e tem a loja Ezequiel Vicente Nogueira; a Maria Pereira, tão bem conhecida pelo nome de Maria Moleira e que se acha quazi cega e já sofreo duas operações de cataracta, natural e residente no logar da Carapita, uma pensão annual da quantia de trinta e seis mil reis em dinheiro e, finalmente à criação de um hospital, estabelecendo que os rendimentos, restantes dos meus bens, sejão applicados para a fundação custeio e sustentação, n’esta Villa Nova d’Ourem, de um hospital, para pessoas pobres, podendo, com tudo serem admittidos até pessoas de alguns teres de fortuna o qual se dominara = Hospital de Santo Agostinho = em comemoração de meu nome. No mesmo documento dá indicação do local onde pretende que seja fundado o hospital: Desejo que, sendo possível, o dito hospital, se estabeleça em funções, no prédio de dois andares, que meus irmãos mandarão construir ultimamente, n’sta Villa Nova d’Ourem. Por último, determina ainda a criação de um azilo de pobreza, caso os seus testamenteiros considerassem possível em termos financeiros, destinado, para serem ali recolhidos, dando-se-lhes o que carecerem de bom conforto para a vida, pessoas velhas, de ambos os sexos, reconhecidamente pobres, e impossibilitadas de trabalhar. 

Faleceu a 5 de dezembro de 1890, não tendo deixado descendência. 

Agostinho Albano de Almeida deixa como legado o Hospital de Santo Agostinho, hoje transformado em Fundação, aplicando a vasta riqueza da família ao serviço da comunidade e, particular dos mais desfavorecidos, honrando assim a memória de toda a família Almeida, reconhecida como benévola e caritativa.