Dulce Mateus, a humanidade como princípio | De cantoneira a presidente da Junta de Espite
De cantoneira a presidente da Junta de Freguesia de Espite, Dulce Mateus construiu uma história de vida pautada pelo trabalho, pela determinação e por uma profunda dedicação aos outros. Mulher de princípios firmes, acredita que a humanidade se revela na disponibilidade para ajudar e que os valores não se negoceiam, seja na vida pessoal ou no exercício de funções públicas. Nunca procurou a exposição pública, mas assumiu, sem receios, o compromisso de estar presente. No final do mandato, Dulce Mateus quer fechar este ciclo e recuperar tempo para si. Sem se desligar da terra que a acolheu, quer continuar a contribuir, agora sem o peso das responsabilidades autárquicas.
Carla Paixão
Quem é Dulce Mateus para lá do cargo de presidente da Junta?
Sou uma pessoa que não gosta muito de exposição pública. Gosto de trabalhar um bocadinho na retaguarda. Profissionalmente, trabalho há 17 anos numa IPSS, onde sou diretora executiva. Considero-me uma pessoa humana. Acho que só faz sentido estarmos aqui se pudermos ajudar e fazer o bem. É um bocadinho isso que me move.
É um contrassenso, de certa forma, uma figura política que não gosta de exposição pública…
É verdade. Antes de ser presidente da Junta, nunca tinha ocupado um cargo político. Quando me convidaram, até achei que estavam a brincar comigo. Ao longo destes nove anos, a exposição pública foi precisamente aquilo que mais me incomodou. Não me faz diferença o trabalho nem ter de tomar decisões, mas falar em público e estar exposta intimida-me. Tenho procurado melhorar, tenho feito formações para resolver esta questão. Mas, é mais forte do que eu.
O que a levou a aceitar o convite para assumir a candidatura à liderança da freguesia de Espite?
O sentido de dever, de contribuir para a comunidade. Já tinha sido presidente da Associação de Pais, pertencido à Comissão da Igreja e ao clube, além de participar nas atividades da freguesia. Ponderei bastante, porque gosto de dar o meu melhor em tudo aquilo em que me envolvo e não tinha conhecimentos sobre a gestão de uma Junta. Só aceitei porque havia alguém com experiência no Executivo, que me iria acompanhar. Hoje tenho plena consciência de que a boa vontade é muito importante, mas o conhecimento é determinante.
Entrevista completa no Notícias de Ourém de 6 de novembro de 2026

