“Caímos rapidamente e vamos nos reerguer rapidamente” 

Alvaiázere empenhado na revitalização do concelho 

Alvaiázere foi um dos 68 concelhos afetados pela calamidade que foi a tempestade Kristin. Com 90% das habitações afetadas, a mancha florestal devastada e dezenas de milhões de euros em danos, o município começa a reerguer-se. O Notícias de Ourém esteve à conversa com João Paulo Guerreiro, presidente da Câmara Municipal de Alvaiázere, sobre os estragos provocados pela depressão e as peculiaridades deste concelho. 

EVA GOMES 

Alvaiázere foi muito afetado pela depressão Kristin: qual é o ponto de situação do concelho atualmente? 

É verdade, Alvaiázere foi muito afetado. Em termos do que são as nossas infraestruturas tivemos mais de 90% do parque habitacional e empresarial afetado, em várias dimensões.  

Também as nossas infraestruturas públicas sofreram danos. Tivemos vários milhares de árvores caídas, praticamente todas as vias rodoviárias obstruídas. Foi, de facto, dramático. Conseguimos manter o sistema de abastecimento de água quase sempre operacional e recuperar 99% em alguns dias. 

Tal como os outros concelhos da região, ficámos com um grave problema no sistema de rede elétrica. Em parceria com a E-Redes, fomos conseguindo (nunca a tempo ideal) chegar a quase todas as habitações. Neste momento, já não temos nenhum posto de alta tensão abastecido por geradores, já conseguimos reposição de energia elétrica em todo o lado. No final da semana passada, tivemos 99% das habitações com acesso à energia elétrica reposta. 

E essa resposta da E-Redes foi satisfatória? 

Não posso dizer que a nossa colaboração com a E-Redes foi boa, porque tivemos pessoas que estiveram 20 dias sem energia. Ainda temos algumas famílias que não têm energia. Só vamos descansar quando todas as habitações tiverem energia, com as infraestruturas reparadas.

Já existe alguma estimativa do valor dos prejuízos provocados pela tempestade? 

Estamos, neste momento, a fazer a previsão do que é o impacto nas vias públicas. Ainda não temos dados concretos, mas serão, com certeza, nas dezenas de milhões de euros. Mais de 20 milhões de euros, seguramente. Contamos em ter, até ao final desta semana, o levantamento de dados feito. 

Acrescendo a isso, tudo o que é o impacto privado.  Os privados, vamos percebendo agora à medida que vão sendo registadas as participações, os pedidos de apoio. Mas há sempre aqueles mais pequenos que não fazem pedidos de apoios… E na parte das empresas vamos ter de aguardar um pouco mais, porque não passa diretamente pela Câmara Municipal. 

O concelho teve algum tipo de apoio logo a seguir à tempestade passar pelo território? 

Tive de me deslocar pessoalmente a Leiria, ao comando sub-regional, para perceber qual era a possibilidade de termos aqui alguns apoios.  

Foi-nos disponibilizado um apoio do exército, que nos disponibilizou operacionais e três geradores que foram muito úteis, pois conseguimos evitar que o sistema de abastecimento de água entrasse em colapso.  

Felizmente, conseguimos reforços de três grupos de bombeiros que vieram da Guarda e de Lisboa.  

Entrevista completa no Notícias de Ourém de 27 de fevereiro de 2026