Inês Mandela Ima, a angolana que distribuiu sopas e aqueceu corações nas aldeias de Ourém 

“Não havia tiros. Não havia pessoas mortas na rua. Mas o cenário era de guerra” 

Inês Mandela Ima. É este o nome que se escuta à passagem pelas aldeias mais recônditas do concelho de Ourém. Angolana a viver na região há quase dez anos, tornou-se um dos rostos da solidariedade silenciosa após a passagem da tempestade Kristin por terras oureanas.  

Percorreu aldeias, bateu às portas e identificou necessidades. Conseguiu chegar a quem estava mais isolado e vulnerável. Ao longo de 23 dias, confecionou cerca de 100 litros de sopa por dia, garantindo refeições quentes a aproximadamente 150 pessoas. Distribuiu alimentos, água, bens essenciais e vestuário. Recolheu receitas médicas, transportou pessoas a consultas e ofereceu apoio direto a famílias em situação de maior vulnerabilidade. Abraçou e confortou. 

Para conseguir tudo isso, Inês mobilizou uma rede informal de apoio, composta por amigas que se juntaram a si na logística de distribuição. 

Nesta entrevista, que inicialmente recusou, por não querer promover o que considera ser “apenas uma ação de humanismo”, Inês diz que fez “o que tinha de fazer” perante um cenário que descreve idêntico ao de uma guerra, em que “todos precisam de todos” e “toda a ajuda é preciosa”. 

CARLA PAIXÃO 

Entrevista completa no Notícias de Ourem de 27 de fevereiro de 2026