OURÉM | Intervenção de 466 mil euros repara danos no Castelo e Paço dos Condes
Ourém coloca a recuperação do Castelo e Paço dos Condes no topo das prioridades após os danos causados pela tempestade Kristin, avançando para uma obra próxima de meio milhão de euros. Classificado como Monumento Nacional, os dois espaços museológicos deverão reabrir sem restrições em junho, após conclusão da intervenção.
CARLA PAIXÃO
Foi assinado na segunda-feira, 13 de abril, o Auto de Consignação das obras de reparação dos danos provocados pela passagem da depressão Kristin no conjunto monumental do Castelo e Paço dos Condes de Ourém e respetiva área envolvente.
O documento, formalizado pelo presidente da Câmara Municipal de Ourém, Luís Miguel Albuquerque, técnicos municipais e pela empresa adjudicatária, entrega a execução da empreitada à ACA – ALBERTO COUTO ALVES, S.A., num investimento global de 466.859,27 euros.
Luís Miguel Albuquerque sublinhou, em resposta ao Notícias de Ourém, que se trata de uma intervenção “determinante para a reposição da segurança e funcionalidade de um dos principais símbolos patrimoniais do concelho”, acrescentando que a prioridade é “garantir a recuperação integral, com rigor técnico e respeito pelo valor histórico do espaço”.
Prejuízos avultados no Paço dos Condes e Torres do Castelo
Questionado sobre a extensão dos estragos na Vila Medieval de Ourém após a passagem da tempestade, o autarca explicou que, para além do núcleo principal, “foram identificadas ocorrências pontuais noutros elementos do edificado público”, ainda que de menor dimensão financeira. “Destacam-se danos na cobertura das antigas cadeias e no cemitério, cuja estimativa global de reparação ascende a cerca de 700 euros”, referiu.
No caso do Castelo e Paço dos Condes, os danos mais significativos concentram-se no edifício do Paço dos Condes, cuja cobertura foi severamente afetada, tendo mesmo desaparecido parcialmente, o que permitiu a entrada de água em todo o espaço interior. Esta situação comprometeu pavimentos e forros em madeira, provocou a inutilização de materiais de divulgação e livros disponíveis para venda e tornou inoperacional o sistema elétrico. Registaram-se ainda vidros partidos em alguns vãos.
Como resposta imediata, o município avançou com medidas de emergência. “Foi colocada uma tela provisória na cobertura e realizada uma primeira limpeza para remoção de detritos”, detalhou o Albuquerque, referindo ainda a retirada de equipamentos do interior para salvaguarda.
Também os torreões sofreram impactos relevantes. As coberturas em telha ficaram danificadas, permitindo infiltrações. Na Torre D. Mécia registou-se a quebra de vidro numa janela do último piso, enquanto na Torre Nordeste persistem infiltrações.
Na zona envolvente, o Terreiro de São Tiago foi afetado pela queda de árvores, danos no muro circundante e destruição parcial de sinalética patrimonial.
A empreitada agora consignada incide na reparação global dos danos, com conclusão prevista até 31 de maio de 2026.
De acordo com o município, os trabalhos incluem a reparação de coberturas no Paço dos Condes e nas torres baluarte, intervenção em estruturas e pavimentos de madeira, reabilitação de vãos, redes elétricas, telecomunicações e sistemas de segurança, bem como recuperação de guarda-corpos e balcões.
Nas torres do Castelo, está prevista intervenção em revestimentos e vãos, assegurando a estabilidade e conservação do conjunto monumental.
Património sem perdas museológicas, mas com impacto cultural
Sobre perdas ou danos em peças ou bens patrimoniais, o autarca revela que não aconteceu: “Não se registaram danos em reservas museológicas ou peças expositivas”, explicando que a intempérie coincidiu com um período de transição entre exposições.
Ainda assim, o impacto na atividade cultural foi imediato. O Castelo e o Paço dos Condes encontram-se encerrados ao público, prevendo-se reabertura durante o mês de junho.
Apesar das limitações, o município assegura a continuidade da oferta cultural noutros espaços. “O acolhimento de visitantes tem sido assegurado na Galeria da Vila Medieval, permitindo manter a atividade turística, ainda que de forma adaptada”, explicou Luís Miguel Albuquerque.
Casa do Administrador, Oficina do Património, Biblioteca e Arquivo também sofreram danos
Para além da zona histórica, outros equipamentos culturais do concelho também foram afetados. A Casa do Administrador e a Oficina do Património registaram danos nas coberturas, enquanto a Biblioteca e o Arquivo Municipais sofreram quebra de vidros.
Ainda assim, o presidente da Câmara reconhece que a prioridade absoluta recai sobre o conjunto do Castelo e Paço dos Condes, classificado como Monumento Nacional. “Naturalmente. Trata-se de um conjunto patrimonial de elevado valor histórico, identitário e simbólico para o concelho e para o País”, afirmou, acrescentando que “a sua classificação reforça a responsabilidade na sua salvaguarda”.
O autarca adianta ainda que, já foi submetida candidatura ao Fundo de Salvaguarda do Património Cultural, estando igualmente previstas novas candidaturas para outros equipamentos afetados, com o objetivo de garantir uma resposta integrada à recuperação do património de Ourém.

