Espite ainda carrega as marcas da Kristin 

Depois da tempestade de janeiro, os estragos provocados pelas derrocadas continuam a afetar a rede viária da freguesia de Espite. A requalificação do ringue e do Mercado, bem como a conclusão das obras na escola estão entre as prioridades apresentadas pela Junta ao executivo municipal.

Carla Paixão 

Quase oito meses depois da passagem da tempestade Kristin pela região, a freguesia de Espite continua a lidar com algumas das consequências da intempérie. As derrocadas que atingiram a rede viária permanecem entre as principais preocupações da Junta de Freguesia, que aproveitou a visita do Executivo Municipal, na passada segunda-feira, 31 de agosto, para reclamar o avanço das intervenções. 

A deslocação da Câmara Municipal de Ourém, integrada no ciclo de visitas às freguesias do concelho, levou o presidente, Luís Miguel Albuquerque, e os restantes elementos do Executivo a percorrer diferentes pontos de Espite, numa visita destinada a acompanhar projetos em curso e a identificar necessidades de intervenção. 

O encontro começou na sede da Junta de Freguesia, onde a presidente, Dulce Mateus, apresentou os projetos considerados prioritários. O percurso prosseguiu com paragens em zonas afetadas pela tempestade, no Mercado de Espite, na EB1/JI e no ringue da freguesia. 

“Foi, acima de tudo, uma visita de trabalho, com uma análise concreta das situações e com a preocupação de encontrar respostas para os problemas da freguesia”, resume Dulce Mateus. 

Entre os problemas levados ao terreno estão várias estradas onde ocorreram derrocadas na sequência da Kristin. Segundo a presidente da Junta, os procedimentos necessários às intervenções estão já em andamento, sendo esperado “em breve” o início dos trabalhos. 

“É uma situação que nos preocupa, naturalmente, porque está diretamente relacionada com a segurança e a mobilidade das pessoas”, afirma a autarca. 

Marcas da tempestade permanecem 

A recuperação dos danos provocados pela tempestade continua, assim, a marcar a agenda da freguesia. Apesar dos processos entretanto desencadeados, Dulce Mateus admite alguma “frustração” pelo facto de quase oito meses depois, ainda permanecerem situações por resolver. 

 “A tempestade Kristin deixou marcas profundas em Espite e em todo o concelho”, afirma a presidente da Junta, salientando que, apesar dos avanços entretanto registados, “algumas das consequências ainda são visíveis”, particularmente na rede viária e nas zonas atingidas por derrocadas. 

A autarca reconhece que a permanência destes problemas é particularmente sentida por quem vive diariamente na freguesia. “Existe alguma frustração por ainda haver situações por resolver, porque quem vive no território sente diariamente essas dificuldades”, admite. 

Mas Dulce Mateus lembra também a dimensão dos estragos provocados pela intempérie e os procedimentos necessários à sua recuperação. “O mais importante é que os processos estão em andamento e que existe vontade, quer da Junta de Freguesia quer do Município, para resolver os problemas”, sustenta. 

Na EB1/JI de Espite, entretanto, a recuperação dos danos provocados pela tempestade está próxima do fim. Durante a visita, o Executivo Municipal acompanhou os últimos trabalhos de reparação, numa intervenção que a Junta espera ver concluída em breve. 

Ringue de Espite entre as prioridades 

Fora da resposta à tempestade, a requalificação do ringue de Espite surge como uma das principais obras previstas para a freguesia. O projeto encontra-se em fase de lançamento do concurso público e é apontado pela Junta como uma intervenção relevante para a população, em particular para os mais jovens. 

“Tivemos oportunidade de visitar o ringue de Espite, cuja requalificação se encontra em fase de lançamento do concurso público”, explica Dulce Mateus. A obra, acrescenta, é importante “sobretudo para os nossos jovens e para a dinamização da atividade desportiva e de convívio”. 

Também o Mercado de Espite esteve no percurso da visita. O projeto de requalificação do equipamento encontra-se atualmente em execução e constitui outra das prioridades identificadas pela Junta. 

A intenção é valorizar o Mercado e reforçar a sua utilização enquanto equipamento de referência da freguesia. Dulce Mateus considera que o local pode assumir “um papel importante” na vida da comunidade e defende que a intervenção permitirá criar condições mais adequadas à sua utilização. 

Rede viária e equipamentos  

A Junta aponta ainda a melhoria das infraestruturas, dos espaços públicos e dos equipamentos como uma prioridade para os próximos anos. 

No imediato, Dulce Mateus quer ver concretizadas as intervenções que já estão em diferentes fases: a requalificação do ringue, as obras nas estradas afetadas pelas derrocadas e a conclusão dos trabalhos na escola. A médio prazo, a atenção deverá continuar centrada na rede viária e na melhoria dos equipamentos e espaços públicos. 

“A nossa prioridade é continuar a melhorar as condições de vida da população de Espite e criar condições para que a freguesia tenha equipamentos e infraestruturas adequados às necessidades atuais e futuras”, afirma. 

A estratégia passa, segundo a autarca, por uma articulação continuada com o Município, procurando que as intervenções sejam concretizadas de forma faseada e de acordo com as necessidades do território. 

A presidente da Junta considera que a presença do Executivo Municipal no terreno permite perceber melhor a dimensão dos problemas e o impacto que têm no quotidiano da população, algo que “não é a mesma coisa” que analisá-los à distância, em reuniões ou através de documentos.  

“Uma coisa é analisar os problemas através de documentos ou reuniões, outra completamente diferente é estar no local, ver as situações, perceber o impacto que têm na vida das pessoas e discutir soluções diretamente com quem conhece o território”, considera. 

A proximidade entre as duas autarquias, acrescenta, permite também acompanhar as intervenções já em curso e identificar aquilo que continua por fazer. 

À população de Espite, a presidente da Junta deixa uma mensagem de confiança, apesar dos atrasos e das dificuldades que ainda persistem. “Sabemos que ainda existem problemas por resolver e que algumas intervenções demoraram mais do que todos gostaríamos, mas há trabalho a ser feito e vários processos estão em andamento”, afirma. 

“Temos uma freguesia com uma comunidade ativa, empenhada e muito ligada à sua terra. É por essa comunidade que continuaremos a trabalhar”, conclui Dulce Mateus.