Chuva e calor no tempo certo fazem prever vinhos de excelência 

As vindimas, este ano, sobretudo nos maiores produtores do concelho, foram antecipadas devido ao calor provocado pelas alterações climáticas. Apesar das alterações forçadas, esperam-se vinhos de excelente qualidade, mas em menor quantidade

Aurélia Madeira 

O Notícias de Ourém passou pela Quinta do Montalto, no Olival, pela vindima dos herdeiros de Carlos Pereira de Sousa, no Favacal, e pela adega de Ezequiel Santos, na Atouguia e se nos primeiros a vindima se faz desde o dia 10 de agosto, estando mesmo a chegar ao fim, nos produtores mais pequenos, como é o caso de Ezequiel, estas ainda não tinham começado. 

Na Quinta do Montalto, o maior produtor concelhio de vinhos, já se esmagavam uvas para o vinho biológico que ali se produz e, no lagar mais pequeno, do Medieval, isso já tinha acontecido, estando as uvas brancas já nas respetivas vasilhas, enquanto as tintas fermentavam para depois se lhe juntarem, como mandam as regras herdadas dos monges de Cister. 

O clima mudou as vontades, interrompeu férias e surpreendeu todos 

André Gomes Pereira começa por explicar que, “tal como aconteceu noutras zonas” do país, “a safra de uvas deste ano começou excecionalmente cedo, a 10 de agosto, no Montalto, devido às condições climáticas favoráveis, resultando em uvas de alta qualidade, mas em menor quantidade, devido a problemas com o míldio tardio e a tempestade (Kristin), que causou danos significativos às vinhas e infraestruturas, exigindo um esforço extra para a recuperação”.  De qualquer modo, a chuva intensa no início do ano, que garantiu boa retenção de água no solo, e a temperaturas ligeiramente acima da média, sem picos extremos de temperatura permitiram o desenvolvimento contínuo dos açúcares nas uvas, resultando em maturação intensa. Daí que, afirma André Gomes Pereira “qualidade das uvas, sãs, apesar das chuvas recentes”, permite prever uma alta qualidade dos vinhos. Para a Quinta do Montalto, a menor quantidade não é problema, até porque isso poderá equilibrar a gestão da adega, que tinha muito vinho em casa, aliviando alguma pressão esperada com o armazenamento e, como diz André, “ter muito vinho e mau não interessa”.

Reportagem completa no Notícias de Ourém 04 de setembro de 2026