A eterna obra da Biblioteca de Fátima
A antiga Escola Primária de Lombo d’Égua, em Fátima, deverá reabrir portas como nova biblioteca da cidade em outubro, depois de uma empreitada marcada por atrasos e constrangimentos na execução. O presidente da Junta de Freguesia admite que a obra “deveria ter sido interrompida mais cedo”, mas garante que o projeto está agora em fase de “contagem decrescente” para a inauguração.
Carla Paixão
Durante mais de duas décadas, a antiga Escola Primária de Lombo d’Égua, Fátima, esteve praticamente sem utilização. Primeiro foi uma escola onde várias gerações de fatimenses deram os primeiros passos na vida escolar. Depois, com a construção dos centros escolares, perdeu a sua função e passou a servir pontualmente de apoio logístico à Proteção Civil durante as grandes peregrinações de maio. Mais tarde, o primeiro piso passou a acolher provisoriamente a Biblioteca, para onde esta foi transferida depois de deixar as instalações do Centro de Saúde. Agora, o edifício prepara-se para ganhar uma nova vida.
É ali que a Junta de Freguesia quer instalar finalmente a Biblioteca de Fátima, transformando o antigo edifício escolar num espaço cultural aberto à comunidade. A obra, contudo, tem-se prolongado muito além do previsto. A segunda fase da empreitada deveria ter ficado concluída em maio do ano passado, depois de um prazo de execução de nove meses. Mais de um ano depois da data inicialmente prevista, a inauguração está agora apontada para outubro.
“Estamos mesmo no finalmente”, garante Carlos Neves, presidente da Junta de Freguesia de Fátima, em entrevista ao Notícias de Ourém. “Estamos numa verdadeira contagem decrescente para entregar mais um edifício aos fatimenses, que bem precisam de ter espaços como este”, notou o autarca.
A história começou antes da atual empreitada. Com a desativação da escola, o edifício ficou sem utilização regular, apesar de manter uma forte ligação à memória coletiva da cidade. Para Carlos Neves, deixar aquele património abandonado era “quase um crime”: “Estas escolas primárias eram bonitas, tinham um traço que as pessoas identificavam logo. Fátima tem poucos espaços públicos e este é um deles.”
Em 2021, a Câmara Municipal de Ourém (CMO) cedeu o edifício da antiga escola à Junta de Freguesia, através de um contrato de comodato. A necessidade de encontrar uma nova localização para a Biblioteca de Fátima acabou por acelerar o processo. O equipamento funcionava então no Centro de Saúde, mas a intervenção prevista naquele edifício obrigava a encontrar uma alternativa.
A solução encontrada foi recuperar o primeiro piso da antiga escola e transferir para ali a biblioteca. “Foi, inicialmente, uma solução de recurso. A biblioteca precisava de sair de onde estava e aquele espaço permitia dar uma resposta imediata”, recorda Carlos Neves.
A primeira fase da intervenção arrancou assim em setembro de 2021 e ficou concluída em outubro do ano seguinte. Os trabalhos concentraram-se no primeiro piso e contaram com o apoio de uma candidatura, com a Câmara Municipal de Ourém como parceira da Junta de Freguesia.
A solução provisória, contudo, depressa revelou as suas limitações. O restante edifício continuava por recuperar e a Junta percebeu que, para dar “outra dignidade” à biblioteca, seria necessária uma intervenção mais profunda. O projeto, da autoria do arquiteto David Fialho, já apontava nesse sentido e previa a transformação integral do edifício e da área exterior.
Com a ideia já definida, “o Município assumiu a totalidade do investimento”, explica o presidente da Junta.
Artigo completo no Notícias de Ourém de 4 de setembro de 2026

