Batalha de Aljubarrota | Arraial, arraial, por D. João de Portugal 

A Batalha de Aljubarrota, no dia 14 de Agosto de 1385, constituiu um dos acontecimentos mais decisivos da História de Portugal. Nela se consolidou a nossa independência face a Castela.  Isso mesmo foi celebrado no passado fim –de semana com uma feira medieval, vários e diferentes torneios medievais, leituras e teatralização de documentos e episódios epocais. O momento alto foi, como sempre, a recreação da Batalha, no domingo, dia 16, à tarde.

Aurélia Madeira

Com a morte do rei D. Fernando em 1383, o Tratado de Salvaterra de Magos, celebrado em abril desse ano entre a rainha D. Leonor Teles, o Conde Andeiro, (amante da rainha e que acabaria por ser morto por D. Nuno Álvares Pereira) e o Rei de Castela, estabelece que a Coroa de Portugal passaria a pertencer aos descendentes do Rei de Castela, D. Juan I, casado com D. Beatriz, filha de D. Fernando. O Reino de Castela iria inevitavelmente dominar Portugal. A situação que se cria provoca mal-estar e não agrada à maioria da população portuguesa, nem à maioria dos nobres, que se dividem, colocando-se uns do lado de Portugal e outros do lado de Castela. 

Assim, a população de Lisboa proclama D. João, Mestre de Avis, meio-irmão de D. Fernando, como “regedor, governador e defensor do reino”. Face à revolta portuguesa, D. Juan de Castela cerca Lisboa, por terra e por mar, com o apoio da frota castelhana. O cerco não resulta e os nobres que apoiavam D. João de Portugal, proclamam o Mestre de Avis como Rei, nas Cortes de Coimbra. 

Os castelhanos invadem, então, Portugal, com um numeroso exército de 40.000 homens e a batalha torna-se inevitável. 

A 6 de Agosto, realizou-se o Conselho de Guerra português em Abrantes, depois de D. João I ter chamado Nuno Álvares Pereira que se encontrava no Alentejo a recrutar combatentes. 

Não existindo consenso entre a nobreza, nesse conselho de guerra, Nuno Álvares Pereira, com os seus 2.000 homens, dispõe-se a enfrentar sozinho os castelhanos. D. João I juntou-se, com o seu exército, ao Condestável do Reino, em Tomar, a 8 de agosto. A 14 terá lugar a Batalha, em Aljubarrota. 

Uma nova tática, com as chamadas “covas de lobo” e fossos, levam os castelhanos, ajudados pelos franceses a desmontarem dos cavalos e a lutarem a pé. De um dos flancos de Portugal estavam os flecheiros ingleses e do outro os besteiros, uma espécie de tropa de elite portuguesa. As flechas terão sido, porventura, o momento mais decisivo da batalha, mas também a chamada “ala dos namorados”, composta sobretudo por jovens solteiros, homens sem laços familiares, filhos de nobres de segunda linha, que não recebiam herança já que essa era apenas para o primogénito, que decidiram arriscar as vidas em nome da pátria e que foram os primeiros a investir. Os castelhanos contra-atacam, mas os portugueses saem vitoriosos ao derrubar a bandeira castelhana, transportada por Juan de Castela, que acaba por fugir em direção a Santarém. 

Atividades para todos os gostos 

As comemorações deste dia, que confirmou Portugal como Reino independente, voltou a ser celebrada, em Aljubarrota, durante o passado fim –de semana com muitas atividades epocais e, momento alto, com a recriação desta Batalha. 

O Notícias de Ourém andou por lá, a falar com alguns dos responsáveis da organização. No meio do povo acabámos por encontrar a padeira de Aljubarrota, que nos contou a sua história.

Reportagem completa no Notícias de Ourém de 21 de agosto de 2026