100 anos de histórias, de ensinamentos e de muito amor 

“O avô é uma verdadeira lenda viva” 

Um século de vida é sempre razão de festa. Na quarta-feira foi a vez de António Júnior celebrar o seu centenário, com a família e muitos amigos, na TMG – Residência para Seniores, na Melroeira

Aurélia Madeira 

A tarde foi animada pelo grupo de música popular Trio 22+1, que pôs os utentes do lar a cantarolar, a acompanhar com palmas as cantigas e a rirem-se dos comentários do apresentador, músico e cantor do grupo, Eduardo Graça. 

O ancião acompanhado por filhos e netos manteve-se firme durante atuação musical, mas, apesar de lúcido, segundo as funcionárias do Lar, a verdade é que o visível cansaço o impedia de falar. No final, houve, naturalmente, bolo e espumante. Mas não foi um só bolo, mesmo que grande. É que, sempre que ali se celebra um aniversário, a cozinheira, Teresa Félix, confeciona dois bolos, para utentes e funcionários. Mas a casa, desta vez, celebrou dois aniversários. O do senhor António, mas também o da própria TMG que atingiu a maioridade ao comemorar os seus 18 anos de vida, na véspera, terça-feira, dia 18. 

Emoção e felicidade 

Foi aos netos, Carolina e Hélder, com voz trémula de emoção e a tentar conter as lágrimas, que coube ler o elogio que a família fez ao seu patriarca.  

Constituída por quatro filhos, quatro netos e quatro bisnetas, foi destacada a sua “vida de trabalho, amor e ensinamentos” e expressada gratidão pela presença “lúcida e forte, que é um pilar para todos”. Por isso, este foi “um dia de festa e de muita alegria”, celebrando “100 anos cheios de histórias, de ensinamentos e de muito amor”. 

Para os filhos, “o avô é o porto seguro, o exemplo de trabalho e a maior inspiração”, porque os ensinou “a dar valor à família, a ser honestos e a nunca desistir”. 

Já para os netos, “o avô é sinónimo de carinho e de sabedoria. Cresceram a ouvir as suas histórias, a receber os seus conselhos sábios e aquele abraço que os faz sentir protegidos do mundo. 

Para os bisnetos, “o avô é uma verdadeira lenda viva. Eles têm a sorte de olhar para o avô e ver de onde vêm as suas raízes, cheios de orgulho e de admiração. 

TMG atinge a maioridade 

Estando ali para testemunhar um centenário, o Notícias de Ourém não poderia passar indiferente sobre os dezoito anos da instituição. 

Foi a assistente social Filipa Joaquim que nos descreveu a Estrutura Residencial para Pessoas Idosas (EPI), que atende “56 utentes com 40 trabalhadores de diversas categorias profissionais, com uma oferta completa de serviços e adaptando-se às complexidades de saúde dos residentes”. Entre os profissionais, há, para além dos auxiliares gerais, ajudantes de ação direta, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas da fala, terapeutas ocupacionais, psicólogos, assistentes sociais, animadores e cozinheiros. 

Filipa recorda que há utentes, como o senhor António, que ali estão desde a abertura do Lar, há dezoito anos, tal como trabalhadores, como Teresa Félix, a cozinheira.  

A assistente social afirma ainda que “a casa tem procurado dar respostas mais adequadas à complexidade dos seus utentes”, atendendo a pessoas com situações de saúde diversas, desde sobreviventes de AVC’s, àqueles que sofreram acidentes e ficaram em situações difíceis, ou aos que estão na casa apenas para viver melhor a sua velhice. 

Experiência e dedicação 

Teresa Félix é cozinheira da casa há 18 anos e lida com a complexidade de diferentes necessidades alimentares, como sopas para diabéticos, para sondas, ou sem verdes, para quem sofre de problemas gastrointestinais, além de pratos com dietas específicas e comida triturada, “tudo feito com muito gosto e carinho”, garante. 

Embora faça muitas vezes bolos para celebrar aniversários, é a primeira vez que eles se destinam a um centenário, o que a deixa, afirma, “emocionada e muito feliz”.