Dia Mundial da Fotografia | Bernardo Henriques fotografa para “eternizar histórias”
Para assinalar o Dia Mundial da Fotografia (19 de agosto), o Notícias de Ourém foi conhecer melhor o percurso do fotógrafo oureense Bernardo Henriques. Aos 22 anos, Bernardo encontrou na fotografia uma forma de eternizar momentos e histórias. Começou quase por acaso, com uma máquina oferecida pelos pais. Hoje, faz da fotografia profissão. Prefere a espontaneidade da reportagem às “poses arranjadinhas”, diz que procura “a verdade do momento” e a “essência das pessoas”. E acredita que “uma imagem vale mesmo mais que mil palavras.”
Carla Paixão
A fotografia começou quase por acaso. Aos 17 anos, Bernardo Henriques recebeu dos pais uma máquina fotográfica, mas durante quase dois anos pouco lhe pegou. Até ao dia em que decidiu arriscar os primeiros cliques. “Andava ali em modo automático. Fui experimentar e achei a brincadeira engraçada.” O que começou como uma curiosidade acabaria por ganhar lugar na sua vida profissional.
Hoje, aos 22 anos, trabalha por conta própria e fotografa casamentos, batizados, bodas de ouro, eventos privados e empresariais, concertos e outros espetáculos. Em todos os trabalhos, há a mesma preocupação: “guardar aquilo que, de outra forma, poderia desaparecer”: “Comecei a fotografar para retratar e mostrar gente e momentos, para oferecer memórias às pessoas”, explica.
Para Bernardo, a fotografia tem esse poder de fixar no tempo momentos que, de outra forma, se perderiam. “Estamos aqui a viver isto, mas se não ficarem as memórias em fotografia, daqui a 20 anos ninguém se vai lembrar. A fotografia fica para sempre.”
É também por isso que prefere uma abordagem documental, próxima da reportagem, à fotografia demasiado preparada. Em vez de interromper um momento para pedir às pessoas que olhem para a câmara, procura estar presente sem se fazer notar.
“Tento aproximar-me da fotorreportagem e fotografar o que está a acontecer, sem andar a dizer ‘olhem, virem-se para cá, façam isto’. Quero ser o mais discreto possível, captar os momentos tal como acontecem, com verdade. O objetivo é que, a certa altura, as pessoas nem saibam que eu estou ali.”
Ainda assim, reconhece que, nos casamentos, há fotografias que fazem parte do ritual: os noivos com os pais, os retratos de família ou as imagens mais formais. Mesmo nesses momentos, procura não deixar que a câmara altere demasiado a realidade. Não faz sentido, por exemplo, diz, mudar a decoração de uma casa ou a forma como alguém se veste apenas para criar uma fotografia. “Se aquilo é assim todos os dias, deixa acontecer. Deixa ser igual aos outros dias. Porque um dia mais tarde vocês vão-se lembrar e aquilo não foi como costumava ser.”
Entrevista completa no Notícias de Ourém de 21 de agosto de 2026


