17º Meia Maratona de Teatro em Peras Ruivas
Na 17ª Meia Maratona de Teatro, o Grupo Apollo levou a Peras Ruivas três dias de teatro, música, histórias e uma dose de comunidade.
Eva Gomes
O Centro Cultural e Recreativo de Peras Ruivas acolheu, nos dias 18, 19 e 20 de setembro, a 17ª Meia Maratona de Teatro, uma iniciativa dinamizada pelo Grupo de Teatro Apollo.
O mote do festival de teatro é sempre o mesmo: “trazer cultura e dinamizar a atividade da comunidade de Peras Ruivas”, como explica Dora Conde, responsável e encenadora do grupo de teatro.
No dia 18, a meia-maratona de teatro arrancou pelas 21h30, com a peça “Já experimentaste azeitonas?” pela companhia de Teatro Nem Marias Nem Manéis. A noite seguiu com uma performance combinada com poesia, por Luz Clandestina e um DJ set pelo DJ PAZE.
O dia 19, sábado, embarcava numa programação “para a comunidade local”, com atividades para os mais pequenos, durante a tarde, “Histórias pela Aldeia” e teatro pela noite dentro.
O dia 20, encerrou esta edição do festival com a apresentação da peça de teatro “Dr.Osório” pelo grupo de teatro do CRIF- Centro de Reabilitação e Integração de Fátima. Houve ainda uma performance de dança da academia de dança Reme Rodriguez.
A novidade desta edição foi a “possibilidade de termos patente a exposição das peças de Carlos Sousa”, o artista “do ferro” oureense.
17 meias-maratonas
Dora Conde, a responsável pelo Grupo Apollo, conta que este festival de teatro surgiu da necessidade de envolver a comunidade e dar a conhecer o trabalho do grupo à população de Peras Ruivas.
A primeira edição, em 2006, “surgiu da vontade de trazer aqui grupos de teatro que estavam a começar, como nós”.
A Meia Maratona de Teatro é assim uma oportunidade de intercâmbio entre trupes de teatro. E ” por outro lado, trazer novas propostas à meia-maratona, com as quais não temos contato nenhum”, acrescenta Dora.
Ao longo das várias edições, o festival de teatro tem evoluído, ganhando novas dimensões, com o acréscimo de performances de dança, concertos, DJ sets e spoken word, como foi o caso da performance “Carne da mesma Carne” por Luz Clandestina.
“Aglomeramos aqui um bocadinho de todas as artes performativas”, explica Dora.
Esta meia-maratona de teatro ganha esta designação devido à “ideia de velocidade” que o grupo pretende passar, através de uma programação preenchida. “Temos atividades de hora em hora, começamos na sexta-feira às 21h30 e terminamos no domingo, há uma sequência”, esclarece a encenadora.
A programação diversa, para além de variedade, permite que cada performance decorra sem percalços. Devido à característica sequencial da programação dos espetáculos, foi necessário ocupar vários espaços próximos ao Auditório Apollo.
“Assim os espetáculos podem ser montados tranquilamente, com tempo suficiente, tendo assim intercalado as modalidades de performance para facilitar esse processo”, explica Dora.
O Grupo Apollo, durante a meia-maratona, assume uma posição de anfitrião, segundo Dora. Assim, ficam nos bastidores, coordenando os vários convidados que acolhem.
A encenadora dá destaque ao espetáculo apresentado pelo UltimActo, o grupo de teatro de Tomar. “Fazemos intercâmbio há muitos anos com eles, e fazia todo o sentido trazerem a nova produção deles ao nosso palco”, justifica Dora.
A dança assume também um destaque na programação do festival. Como Dora refere, uma das presenças constantes é a de Dulce Maurício, que traz nesta edição um workshop de “dança na meia”.
Uma novidade desta edição foi a oficina criativa destinada à comunidade de Peras Ruivas. A “Oficina Criativa Para Todos!” consistia num workshop de croché, em que era cada participante ajudava a construir uma meia. É, assim, “uma meia comunitária”.
A oficina serve como exemplo do esforço do Grupo Apollo de “integrar a comunidade”.
Sendo anfitriões, o grupo Apollo não consegue apresentar produções próprias, como gostaria, devido à organização da logística do evento. Assim, este ano surgiu a ideia de contarem histórias em vários espaços da aldeia.
Foram “contadores de histórias”, como descreve Dora. As histórias foram contadas em diversos espaços da aldeia, ou seja, “no Adro da Igreja, junto ao Café Janeca, e numa adega”.
30 anos a fazer teatro
Dora relembra que se aproximam o 30º aniversário do Grupo Apollo. Em 2027, este grupo de atores celebra três décadas de dedicação ao teatro amador e à comunidade.
Decorria 1997 quando se juntaram algumas pessoas do Centro Cultural e Recreativo de Peras Ruivas para encenar uma peça. Dora recorda ter sido convidada para participar enquanto encenadora, “até que dei por mim sozinha com um grupo de pessoas”.
Desde então, “com mais força desde 2006”, ano em que se deu a primeira Meia Maratona de Teatro, o grupo tem se demarcado no espaço cultural oureense.
“O nosso objetivo, desde sempre, é manter uma linha de continuidade no grupo, estarmos constantemente a apresentar”, afirma Dora.
A responsável pela trupe acrescenta ainda que para além das atividades “do costume”, como as Jornadas Culturais de Seiça e a CENOURÉM, procuram estar envolvidos em atividades fora do concelho.
“Fazemos muitos intercâmbios com outros grupos e companhias, de forma a podermos estabelecer uma rede de conexões”, explica Dora. Assim, “surgem mais oportunidades para nos apresentarmos em palco”, conclui.
Apesar de ainda não estarem definidos os planos concretos para a celebração dos 30 anos do Grupo Apollo, Dora Conde garante que a “celebração será em grande”. “Existem muitas ideias, muitos planos, que esperamos conseguir colocar em prática”, a iniciar já em janeiro do próximo ano.
Fotografia de João Abel Oliveira e Grupo Apollo

