Vai “nascer” um novo núcleo museológico em Ourém 

A cidade de Ourém vai acolher um novo espaço museológico dedicado à figura do Tenente-Coronel Moreira Lopes, personalidade que moldou o território e a história do concelho.

CARLA PAIXÃO 

O projeto avança após a aprovação, em reunião de Câmara de 18 de maio, da aquisição de um edifício brasonado situado no gaveto da Rua Tenente-Coronel Moreira Lopes com a Rua dos Combatentes da Grande Guerra, na freguesia de Nossa Senhora da Piedade, em Ourém. Imóvel onde terá residido o próprio Tenente-Coronel Moreira Lopes.  

O edifício, inserido num terreno com cerca de 920 metros quadrados, será adquirido pelo valor de 230 mil euros e integra-se num projeto mais vasto de regeneração urbana daquela zona central da cidade, que prevê o alargamento de vias, a instalação de novas infraestruturas e a colocação de mobiliário urbano. 

O presidente da Câmara, Luís Miguel Albuquerque, explicou que a decisão resulta também da identificação de um valor patrimonial associado ao imóvel. “Como sabemos, aquela propriedade que estava no centro de Ourém foi vendida para a implementação de uma unidade comercial na cidade. No entanto, houve uma parte que não foi alienada, precisamente uma casa em ruínas, com história, brasonada, que faz parte da identidade do concelho”, afirmou. 

Segundo o autarca, a Câmara entendeu que o edifício deveria ser preservado e integrado no domínio público. “Trata-se de um imóvel ligado à história de Ourém, a uma figura importante da cidade, e entendemos que fazia todo o sentido preservá-lo”, referiu, acrescentando que o objetivo passa por o integrar nos circuitos culturais do município. 

“Queremos integrá-lo nos circuitos expositivos e museológicos que já temos na cidade, dando-lhe um novo uso no futuro, devidamente requalificado, e colocando-o também ao dispor dos ourienses, sobretudo das gerações mais jovens”, disse. 

A aquisição resulta de negociações com os proprietários, num processo que o presidente descreveu como exigente. O imóvel estava inicialmente anunciado por 300 mil euros, tendo sido possível chegar a um acordo por 230 mil euros, com pagamento faseado em duas tranches: “70 mil euros este ano (2026) e 160 mil euros no próximo (2027)”. 

“Foi possível chegar a um entendimento. Considero que é mais um passo na preservação da história da cidade e do concelho. É uma aquisição importante para todos nós”, sublinhou. 

Quanto ao futuro do edifício, o autarca explicou que será mantida a traça original, embora o interior necessite de intervenção. “A intenção é manter a traça do edifício. O interior terá de ser consolidado, porque está em mau estado, e depois será transformado num espaço museológico”, referiu. 

Luís Miguel Albuquerque acrescentou que o imóvel, apesar de ter sido afetado por um incêndio há vários anos, mantém relevância patrimonial. “Isso não retira a importância da sua preservação”, afirmou, sublinhando o risco de perda de um elemento significativo do património local caso não fosse adquirido. 

A propósito de Moreira Lopes, recordamos as palavras de Manuel Rodrigues num artigo de opinião publicado no Notícias de Ourém, (edição de 5 de setembro de 2025): “A ligação a Ourém não foi apenas nominal. Moreira Lopes teve um papel ativo na fundação do Asilo para Idosos de Santo Agostinho, inaugurado a 20 de janeiro de 1946 em terreno cedido pelo Dr. Agostinho Albano de Almeida. No mesmo ano, integrou a comitiva que assinalou o local destinado à futura Casa da Criança, em terreno oferecido pelo Dr. Joaquim Francisco Alves, terminando com um almoço oficial na sua residência.”