25 de abril 1974, primeira pessoa
Por Isabel Costa
“Ler é um imperativo, com tudo o que vem por isso. Associo a liberdade à capacidade de saber pensar. Se não se sabe pensar, se não se domina o raciocínio, a nossa liberdade é sempre diminuída” (Teresa Calçada)
Estávamos no ano letivo de 1973/74. Este foi o valor que a minha professora de Psicologia e Filosofia no 6ºano (atualmente 10º ano) me transmitiu.
Teresa Calçada chegou ao Liceu de Leiria e fez a diferença. As suas aulas eram muito diferentes do que estávamos habituados. Um constante incentivo a descobrirmos e questionarmos aquilo que nos era transmitido.
Fora do Liceu tornou-se uma companhia que me incentivava a ler mais, a ler diferente e livros diferentes. Naqueles meses arrisco a dizer que para além de estudar as outras disciplinas, o meu tempo era ocupado a ler. A par de Almeida Garret, Júlio Dinis, Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós e tantos outros clássicos, preferencialmente franceses, descobri os Ensaios e descobri os autores de cariz social e político. Estávamos antes de 25 de abril de 1974 pelo que, todo este processo de querer saber e conhecer era feito de uma forma solitária, no meu cantinho, para ser possível. Não havia liberdade!
Na manhã daquela quinta-feira tinha a disciplina de História à primeira hora. Saí de casa, cedo como era meu hábito e durante o caminho para o Liceu passaram diversas viaturas militares, mas nada que causasse estranheza pois a cidade tinha dois quartéis.
Estávamos na manhã de 25 de abril de 1974, sem telemóveis, sem internet e sem televisão no período da manhã. O rádio não tinha sido ligado.
Chegada ao Liceu foi dito que não haveria aulas e fui para casa. As minhas leituras seriam capazes de me ajudar a perceber o que se passava? O rádio e mais tarde a televisão passaram a fazer-me companhia, mas a informação não era ainda de todo muito esclarecedora.
Dia 26 de abril continuei com as minhas leituras e com os livros emprestados pela Professora Teresa, mas sentada na esplanada do café. LIBERDADE!
[Nota 1]
Felicito a AMO pela continuidade do projeto AJO – Assembleia Jovem de Ourém; sobre um tema previamente indicado e no âmbito da cidadania e território, os jovens alunos, através das instituições escolares, apresentam projetos por eles pensados e criados.
Tive o privilégio de colaborar na concretização de alguns. Por isso, recomendo a leitura do livro “50 Memórias, 50 histórias”, 50 anos 25 de abril, uma compilação de histórias partilhadas por avós aos seus netos, os alunos, no formato de escrita ou ilustração, numa parceria da CMO, AMO e AJO.
[Nota 2]
Uma sugestão de leitura, para quem não pôde estar na conversa com a escritora Dulce Maria Cardoso, na 9ª Festa do Livro de Ourém, o seu livro “O Retorno”.
