O nosso Castelo está lindo, mas precisa de vida 

Por Nuno Batista

O Castelo de Ourém é, sem dúvida, um dos mais bonitos de Portugal — não apenas pela imponência do monumento em si, mas também pela experiência única que proporciona a quem percorre a sua envolvente e vive a atmosfera da Vila Medieval. Há ali uma harmonia rara entre património, paisagem e identidade que merece ser celebrada. 

Contudo, a beleza, por si só, não basta. Um espaço desta dimensão histórica e simbólica precisa de dinâmica, de energia e de presença humana constante. Ao longo dos anos, muito se tem falado do meio mecânico de acesso para visitantes, há tanto tempo prometido e ainda por concretizar. Será, certamente, um contributo importante para melhorar a acessibilidade, mas não resolverá tudo. O verdadeiro desafio está para além da mobilidade: está na capacidade de atrair, fixar e envolver pessoas. 

Importa, desde logo, reconhecer o mérito de alguns empresários do nosso concelho que acreditaram no potencial da Vila Medieval e ali investiram, criando negócios de qualidade que valorizam a experiência de quem visita. Estes projetos são fundamentais e devem ser potenciados, integrados numa estratégia mais ampla que os valorize e lhes dê continuidade. 

Cabe ao Município assumir um papel mais ativo na dinamização do Castelo. É essencial criar momentos ao longo de todo o ano — eventos diversificados, com qualidade e identidade, que funcionem como verdadeiras âncoras de atração. Não se trata de fazer muito, mas de fazer bem e com consistência. Cultura, história, gastronomia, música e recriação podem e devem cruzar-se num programa que convide à visita repetida. 

Existem bons exemplos, dentro e fora do país, que demonstram como o património pode ganhar vida.  

Existe ainda uma oportunidade evidente que não deve ser ignorada: os milhões de visitantes que todos os anos se deslocam a Fátima. Com uma estratégia bem pensada, é possível criar pontes e complementaridades. Não é necessário reinventar tudo — basta adaptar boas práticas à nossa realidade. 

O Festival de Setembro, que já se realiza, é um desses momentos de grande potencial. No entanto, não faz sentido que aconteça apenas de dois em dois anos. Deve afirmar-se como um ponto alto anual, um verdadeiro momento de festa e de comunhão entre visitantes e a Vila Medieval de Ourém. Um evento que crie tradição, expectativa e continuidade. 

O Castelo está lindo, é verdade. Mas agora é tempo de lhe dar vida. Porque só assim deixará de ser apenas um cenário admirado para se tornar um espaço vivido, sentido e partilhado por todos. 

P.S. – Deixo aqui também a minha homenagem ao Luís Oliveira, antigo Presidente de Junta de N. Sra. Das Misericórdias, recentemente falecido. Este era também muito o seu Castelo. Partiu um Homem Bom!