Sabores da nossa terra
Por Isabel Costa
A gastronomia – do grego gastronomía, estudo das leis do estômago – é a arte de cozinhar com o objetivo de proporcionar o maior prazer aos que comem, é algo que está sempre presente na nossa vida e que assume uma particular importância naqueles momentos especiais do ano.
Na Páscoa, que estamos agora a vivenciar, os sabores e os cheiros levam-nos a uma comida tradicional em que o folar assume destaque. Este é um bolo tradicionalmente trocado entre padrinhos e afilhados como sinal de renascimento.
Na diversidade que é a confeção gastronómica em Portugal, o folar assume diversas formas em vários territórios, muitas vezes já sem os ovos e com estes a serem substituídos por “ovos de chocolate”, com a já tradicional “caça aos ovos” em que as famílias se unem e divertem na sua procura.
É novamente a altura de recorrer aos livros de receitas das nossas mães e avós, onde tantas receitas estão escritas, muitas vezes comentadas, e onde estão guardados muitos segredos.
O nosso país tem uma riqueza imensa na área da gastronomia, cada território tem as suas particularidades, os seus pratos típicos, os seus rituais na confeção bem como na degustação.
Na nossa região, Ourém e terras limítrofes, existem diversos pratos gastronómicos que têm sido passados de geração em geração e que urge não deixar cair no esquecimento. É de realçar o trabalho de divulgação de sabores locais e regionais que as Associações concelhias têm feito, com os almoços dos chícharos, das sopas de verde, do carneiro, entre outras.
Destaco uma outra iniciativa, na zona norte do concelho, com a “Semana do Catrepe”, comida muito tradicional daquele território e que provavelmente algo ainda desconhecido para muitos outros ourienses. Estava em processo de constituição a Confraria do Catrepe, pelo que faço votos que a mesma se concretize.
A restauração também tem procurado fazer a diferenciação com alguns restaurantes locais a recuperar os alimentos tradicionais e ancestrais, com dias e pratos fixos, como por exemplo as verças e a palhada.
Muitas destas receitas e outras que estavam adormecidas em livros e manuscritos caseiros estão vertidas no livro de Sandra Silva – Pratos que ligam dos “Castelos” ao Mundo.
A carta gastronómica do nosso território está em preparação, e irá ser uma via documental de inventariação e valorização das receitas tradicionais e dos produtos endógenos, constituindo um processo de valorização cultural.
Mas para que se desperte a curiosidade do saber fazer, lanço o desafio para a organização de eventos, usualmente designados de workshops, sobre os diversos produtos e a sua confeção baseada nas receitas guardadas lá de casa. Vamos!
Nota 1 – “A Força do Planeamento na Resiliência – … As tragédias recentes na zona Centro do país deixaram marcas profundas na paisagem e na memória coletiva, mas também abriram uma oportunidade rara de repensar a forma como organizamos o território e preparamos as nossas cidades para o futuro…” Paula Teles, especialista em mobilidade
Nota 2 – Desejo a todos uma Santa Páscoa, com muita força e capacidade para Reerguer
