Fogos Florestais- Breve reflexão

Por Prof. Mário Albuquerque 

Na sequência da marcha cíclica do calendário, aproxima-se mais uma época estival convidativa ao descanso, convívio e lazer, transportando consigo, no entanto, recorrentes preocupações, já conhecidas e até “familiares”, por força das elevadas temperaturas que se fazem sentir, e consequentes desastres ambientais, muito para além dos patamares mais desejáveis. 

  Neste contexto julgo de pertinente, focado numa perspetiva mais pessimista, escalpelizar, com sentido preventivo e pedagógico, a temática dos Fogos Florestais, quais lamentáveis tragédias humanas com que temos vindo, sistematicamente, a ser confrontados.   

 Porque se trata de um complexo fenómeno da Natureza, a que não são alheias os redundantes atropelos a uma causa que a todos pertence, profundamente lesiva da harmonia do nosso ecossistema, considero de oportuno, por mera analogia com outros fenómenos registados, evocar com tristeza, nesta simples abordagem, a dimensão das calamidades com que, muito recentemente, fomos confrontados, na sua sanha medonha, imparável e demolidora, com ventos ciclónicos a emergirem, complementados de intensa pluviosidade, semeando o pânico e o desespero no seio das populações indefesas.  

   Afinal duas faces da mesma moeda”, a “moeda” de valor superior que comanda os destinos da humanidade, espezinhada e secundarizada, direi maltratadas por força de ambições desmedidas e incotíveis, onde sempre prevalecem os desafios doentios da competitividade, da economia e da desprezível grandeza humana.   

 Após as catastróficas tempestades registadas, outras ameaças começam a erguer–se com idêntica inquietação e sobressalto, em próximos horizontes, de igual modo fruto das denominadas alterações climáticas, onde o aquecimento global da Terra está a fazer incidir os seus efeitos, lançando o pânico, feito de fogo e chamas demolidoras, no seio das indefesas populações.   

 Como principal antídoto propõe-se uma vigilância atenta e desperta, ao sabor do velho aforismo popular de que “mais vale prevenir do que remediar”, como recomendam as boas práticas do nosso quotidiano. Um alerta avisado, e persuasivo, que reclama uma consciente estratégia de antecipação e pronta mobilização de meios, ao nível público e institucional, de modo minimamente eficaz e permanente. Para além, evidentemente, da consciencialização cívica das populações, no âmbito do papel preponderante que devem desempenhar, com especial enfoque na limpeza dos terrenos, especialmente os mais periféricos das habitações e de outro inestimável património. 

 Os recursos a meros improvisos, tantas vezes utilizados em situações de aflição, e desespero, nunca são solução, não passam disso mesmo (de simples recursos), porque também se reconhece que, parte das vezes, não estão à altura da dimensão, e da oportunidade, da evolução dos sinistros, mormente quando aplicados em fases já bastante avançadas, que exigem ações robustas e concertadas. 

  Os soldados da paz, os abnegados bombeiros, não fazem milagres, nem tão pouco a complexidade das cadeias de comando estabelecidas, na pirâmide, bastante hierarquizada, da proteção civil, geradoras que são de alguma conflitualidade, e até desorientação, sobretudo em momentos de maior exigência técnica e de trágico desespero das populações. 

  As ameaças que enfrentamos são, como se conclui, de alerta e de não facilitação, pois não podem ser ignorados os tempos de mudanças climáticas que atravessamos, bem como as marcas indeléveis, e bem vincadas, de um negro passado recente, sob pena de prosseguirmos esta marcha imparável de comprometer, irremediavelmente, o futuro, e a qualidade de vida das gerações presentes e vindouras… 

 Muitos perigos nos espreitam, direi no imediato, entre os quais a confrangedora continuidade da devastação da floresta, e de todos os seus preciosos recursos, configurando uma calamidade que apela à responsabilidade de todos. Agora com redobrado perigo a espreitar, pela abundância de resíduos e desperdícios florestais que jazem no solo, com o crescimento acelerado das espécies arbóreas mais rasteiras, configurando um explosivo coberto vegetal ressequido, propício, e incentivador, ao evoluir das chamas.