Gostamos de estar com quem amamos

Por Padre Jorge Guarda

Os amigos e os amantes gostam de estar juntos o mais que podem. É condição para alimentar a relação e usufruir dela. Passam por isso longos tempos uns com os outros. A presença e interação mútuas faz-se de palavras, silêncios, gestos, brincadeiras e várias outras formas expressivas do afeto que os une. Se fosse possível, queriam estar sempre assim na companhia uns dos outros. Quem não ama, não se detém com os outros, não investe o seu tempo na relação com eles. 

Acontece o mesmo ao nível espiritual no amor a Jesus e na vivência da fé, mediante a adoração eucarística. No último mês, na paróquia de Nossa Senhora da Piedade, em Ourém, celebraram-se as “festas do Santíssimo Sacramento”, nos lugares do Alqueidão, Pinheiro e Vale Travesso. Na igreja matriz, na passada semana, realizou-se a atividade “24 horas para o Senhor”. De crianças a idosos e pessoas de diferentes idades, muitos foram os que participaram nas Missas, passaram tempos prolongados em adoração diante de Jesus e participaram nas procissões eucarísticas. Semanalmente, à terça-feira, faz-se adoração eucarística na igreja matriz. 

Porque investem os fiéis católicos o seu tempo na adoração “Santíssimo Sacramento”, ou seja, a Jesus que se torna presente e permanece na Eucaristia após a celebração? Simplesmente, porque se gosta de estar com quem amamos. Jesus é amante dos seus discípulos e estes, que também o amam, gostam de estar com ele. A adoração eucarística é estar diante de Jesus prolongada e gratuitamente, com fé viva e coração ardente de amor por ele. Essa atitude, como nos amigos e amantes, é feito de olhares, silêncios, escuta interior, gestos, palavras, cânticos… Por vezes, custa e é preciso persistir na vontade de estar ali. Então, pode experimentar-se a promessa de Jesus: “permanecei em mim e eu permanecerei em vós”, “se permanecerdes em mim e eu em vós, dareis muito fruto” (cf Jo 15, 1-8). 

O primeiro fruto da adoração prolongada é precisamente a fé, uma fé viva que une a Jesus e o torna presente no coração do fiel cristão. Essa fé dá-lhe fortaleza e generosidade na vida quotidiana. Ele recebe mesmo uma fé comunicativa. Recordo o caso de uma mulher que, depois de passar um tempo significativo em adoração na igreja, ao chegar ao autocarro, impressionado com a paz que irradiava do seu rosto, o motorista não lhe quis cobrar o bilhete e disse-lhe: “a senhora já me meu muito mais do que isso”. Havia como que uma irradiação de luz e bondade que o tocou e enriqueceu. O dom de Jesus comunica-se através de quem o recebe. E isso torna melhores as pessoas, as famílias e a sociedade. 

Estar com Jesus em adoração transforma a pessoa de modo que se torna capaz de enfrentar a vida com criatividade e coragem. Um bom exemplo foi Santa Teresa de Calcutá: passava muito tempo em adoração a Jesus e as suas obras de caridade multiplicavam-se admiravelmente. O mesmo acontecia com muitos outros santos e sucede com os fiéis cristãos. A união íntima e forte com Jesus torna os cristãos capazes de fazer muitas boas obras. 

Não desperdicemos o dom de amor e paz que Jesus oferece a quem investe o seu tempo em adoração a Ele na sua presença eucarística. A nossa vida ganha muito com isso, bem como aqueles com quem convivemos. 

“Quem não ama, não se detém com os outros, não investe o seu tempo na relação com eles. (…) Acontece o mesmo ao nível espiritual no amor a Jesus e na vivência da fé, mediante a adoração eucarística”