“Muitos milhões de euros” para reerguer Ourém 

Presidente da Câmara faz balanço dos danos após tempestade  

Recuperar tudo o que a tempestade destruiu na sua passagem por Ourém, vai demorar tempo e custar “muitos milhões de euros”, afirma o presidente da Câmara, Luís Miguel Albuquerque. Depois dos ventos e das chuvas, há casas para reconstruir, empresas para reerguer, equipamentos públicos para reparar, estradas para arranjar, bens essenciais para reaver, património para salvar. E, muitas pessoas para apoiar   

CARLA PAIXÃO 

“A maior catástrofe natural que atingiu o nosso concelho e que ficará, tristemente, marcada na nossa história”. Foi assim que Luís Miguel Albuquerque, presidente da Câmara Municipal de Ourém (CMO), classificou a tempestade Kristin, que assolou Portugal e devastou Ourém na madrugada de 28 de janeiro. O autarca falava à margem da última sessão da Assembleia Municipal de Ourém (AMO), realizada na sexta-feira, 13 de fevereiro, 17 dias após o desastre. Dirigindo-se aos munícipes, confessou tratar-se da “comunicação mais difícil” que fez desde que assumiu, pela primeira vez, a liderança da autarquia, em 2017. 

Albuquerque fez a “linha do tempo” da catástrofe e explicou a resposta dada de “imediato” pelos serviços municipais: “Nessa manhã e de imediato, ativámos o estado de emergência municipal e as primeiras horas a seguir à tempestade foram um autêntico teste de resistência e superação à nossa capacidade coletiva e aos muitos operacionais no terreno.” Segundo adiantou, a dimensão dos danos na rede viária foi sem precedentes: “Dos 1000 km de estradas asfaltadas, 800 km ficaram completamente obstruídos com árvores, postes, chapas, e outros resíduos de habitações e empresas, deixando todos os lugares, aldeias, vilas e cidades do concelho votados ao isolamento.” 

Perante “este cenário dantesco”, o autarca garantiu que a prioridade foi restabelecer a mobilidade. “A nossa prioridade máxima foi exatamente assegurar a circulação de pessoas em segurança na rede viária, permitindo a ligação entre todas as freguesias do nosso concelho.” O objetivo, diz, foi alcançado em três dias, “muito graças ao empenhamento de vários meios mecanizados, operacionais no terreno e à população que se alistou nesta tarefa comunitária”. 

Neste contexto, Albuquerque destacou o desempenho da Proteção Civil Municipal, sublinhando a eficácia da resposta: “Conseguir ter as vias principais e secundárias, que são da nossa responsabilidade, e também da I.P., totalmente transitáveis, transmite um sentimento de dever cumprido, que resume uma grande eficácia na gestão da crise pela nossa proteção civil e que me cumpre aqui reconhecer”. 

Contudo, Luís Miguel Albuquerque admitiu que a magnitude dos estragos exigiu mecanismos adicionais. A situação viria a ser enquadrada pela Resolução do Conselho de Ministros, de 30 de janeiro, com a declaração de Estado de Calamidade para o território de Ourém, posteriormente renovada até 15 de fevereiro. 

Artigo completo no Notícias de Ourém de 20 de fevereiro de 2026