Nuno Baptista (PS) tece duras críticas à atuação do Estado Central  

Resposta aos efeitos da tempestade   

O deputado da Assembleia Municipal de Ourém (AMO), Nuno Baptista (PS), teceu duras críticas à atuação do Estado Central na resposta aos efeitos da tempestade Kristin. Na sexta-feira, 13 de fevereiro, em sessão plenária, defendeu que o concelho foi “votado ao abandono” e acusou os governantes de terem chegado a Ourém, “tarde e a más horas” 

CARLA PAIXÃO

“Deixem-me dizer-vos, sem subtilezas, sem paninhos quentes, que o que se passou, no apoio à população do nosso concelho, por parte do Estado Central foi uma vergonha, repito, uma vergonha”, atirou Nuno Baptista, para, logo de seguida, acompanhar a cartilha do presidente da Câmara Municipal de Leiria, Gonçalo Lopes (PS). 

“Parafraseando um autarca nosso vizinho, que disse e muito bem, ´Se isto tivesse acontecido na casa de quem nos governa, a resposta teria sido mais rápida´. Não tenham dúvidas nenhumas que isto é absolutamente verdade”, disse Nuno Baptista. E continuou: “Os governantes que vieram aos nossos territórios, tarde e a más horas, regressavam ao conforto das suas casas de Lisboa e de Cascais, onde tinham a sua eletricidade, água, ar condicionado e garantidamente não lhes chovia em casa. O desespero era dos outros, daqueles lá longe, que nós nem conhecemos e que, possivelmente, não vamos voltar a ver”. 

Para sustentar as críticas, Nuno Baptista apresentou números e deu exemplos. Referiu que, “quase 20 dias depois da tragédia”, persistiam “milhares de habitantes sem eletricidade” e “milhares de pessoas a quem chove em casa”. Alertou ainda para a situação dos estudantes: “Existem centenas de alunos que vão para a escola e regressam a casa sem eletricidade. Como vão sequer pensar em estudar? Que igualdade de direitos é esta?”, interrogou. 

O deputado salientou que milhares de oureenses e centenas de empresas permanecem isolados, sem comunicações, somando-se os prejuízos materiais já registados. Criticou também a resposta militar inicial: quatro dias após a passagem da tempestade, apenas 240 militares estavam no terreno em todos os concelhos afetados, “um dispositivo mínimo que cresceu para 2.173 no dia 4 de fevereiro, bastando para isso ter sido ativado o Plano Nacional de Emergência. Por que não foi feito logo no dia seguinte?”, indagou. 

Baptista considerou “ridículo” que, no dia seguinte à tragédia, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil tenha solicitado apenas dois destacamentos de Engenharia — ou seja, duas máquinas e oito militares —, quando, segundo ele, o Primeiro-Ministro poderia ter convocado a Comissão Nacional de Proteção Civil e mobilizado imediatamente milhares de militares.  

Artigo completo no Notícias de Ourém de 20 de fevereiro de 2026