Setembro e os novos projetos 

Por João Filipe Oliveira

Setembro tem esta particularidade de nos sugerir, no nome, o número sete, quando na verdade é o mês número nove no nosso calendário. Tal como outubro remete para oito, novembro para nove e dezembro para dez. É a memória do tempo em que o ano se iniciava em março, em vez de janeiro. É por isso que os últimos meses do ano conservam nomes um pouco enganadores. 

Inícios de ano, evidentemente, são uma convenção social e tanto podem ocorrer em janeiro, como em março, como em setembro. 

Aliás, psicologicamente para a maioria de nós, o ciclo começa agora, depois das férias. Depois de umas semanas com o centro das preocupações desviado das obrigações profissionais, é tempo de regressos e tempo de começos. Quem nos visitou já começa a partir. Os lugares que nós mesmos visitámos já foram deixados para trás. Regressamos todos às nossas rotinas. 

Mas especialmente nas escolas agora é que é mesmo o ano novo. 

São as mochilas, os livros, e os cadernos com ar de novo; é o reencontro dos colegas, a curiosidade de saber quem vão ser os professores. Para muitos, conhecer outra escola, com mais salas, horários complicados. Para os mais crescidos, a mudança de cidade, a entrada num curso de ensino superior, compreender um sistema e uma organização do ano letivo completamente diferentes, com cadeiras em vez de disciplinas, créditos, processos de avaliação. Um mundo que se abre. 

Do lado dos professores, já desfeita a angústia de saber em que escola ficaram colocados, é o contrarrelógio de planear ao pormenor o ano letivo, em função das turmas que lhes forem distribuídas. Este ano, tudo se processa de forma mais atribulada, ainda a recolher os cacos de um período de exames caótico, com uma inabitual terceira fase de exames de ensino secundário a coincidir com o arranque das aulas dos restantes níveis de ensino. Muita coisa a acontecer ao mesmo tempo. 

E o resto do mundo, fora das escolas, nas famílias envolvidas, alinha-se por este ciclo de começos e recomeços. Projetos e sonhos que começam a sair do papel para ganharem asas. 

Há um projeto em particular que despertou a minha atenção neste “novo ano”, que acaba por ser escola, mas sem ser escola. Divulgada aqui no Notícias de Ourém há duas semanas, a Filarmónica Freixiandense vai dar os primeiros passos em setembro. A ideia tem tudo para merecer ser acarinhada. A aproximação entre gerações, a oportunidade de aprender música, a dinâmica cultural que vai ser enriquecida e a vitalidade que pode revelar numa comunidade que precisa sempre de se encontrar. Como disse o fundador da banda ao nosso jornal, é um complemento a muitas outras atividades que, felizmente, já são pontos de encontro: no desporto, no folclore, nas comunidades religiosas, nas associações, na escola. 

São estas dinâmicas que fazem o espírito da comunidade. Afinal, é mesmo em setembro que começa um novo ciclo.