O quê que é e para que serve um Diácono?
Por Padre Jorge Guarda
No passado domingo, o seminarista, Miguel Francisco, bem conhecido e amado em Ourém, foi ordenado diácono, na Sé de Leiria. Diante do bispo e da assembleia cristã, fez a entrega total de si mesmo a Cristo e assumiu um serviço próprio na Igreja. O diácono é um ministro ordenado. Há duas formas de o ser: num estado transitório para ser padre, como é o caso do Miguel, ou de modo permanente, que assumindo e desempenhando este ministério para a sua vida, segundo os mandatos recebidos do bispo diocesano.
De um modo ou de outro, ser diácono é uma vocação divina, o que significa ter a convicção, confirmada pela Igreja, de que se recebeu um chamamento ou um dom especial para este modo de viver e servir a Igreja e a sociedade. Isto implica manter uma relação de fé e espiritualidade profundas com Jesus Cristo e com a Igreja e uma disponibilidade para amar e servir ou outros. Não é simplesmente uma ocupação, como nas profissões ou no voluntariado. É um modo de vida que envolve a pessoa no seu todo para ajudar os outros e as comunidades cristãs no surgimento e crescimento da vivência da fé.
O ícone ou imagem simbólica que inspira o diácono é o gesto de Jesus quando lavou os pés aos discípulos para lhes deixar o exemplo e uma missão: como ele fez, também os seus deveriam concretizar o amor uns aos outros através de gestos e ações. Assim, o diácono incarna esta missão de serviço: dedicar-se aos outros através de boas obras que os façam sentir-se amados por Deus e ajudados a crescer na relação de fé e de amor com ele.
Na ordenação, o diácono orientado para ser padre compromete-se a viver em celibato, ou seja, numa relação de amor total para com Jesus Cristo, imitando o seu estilo de vida. É a relação íntima e permanente com ele que dá sentido e sustento à sua vida dedicada aos outros. O celibatário renuncia ao casamento e às relações sexuais para dar tudo de si a Cristo, recebendo dele todo o amor e força espiritual para gerar e alimentar a vida cristã nas outras pessoas.
O diácono compromete-se também a viver a “liturgia das horas”, ou seja, a praticar a oração, com e em nome da Igreja, em vários momentos do dia. Não é apenas para alimentar a sua fé e espiritualidade pessoal, como fazem os fiéis cristãos, mas fazer desta relação com Deus um ato de louvor, gratidão e intercessão pelos outros. Todos os dias rezam por todos e pela própria Igreja, para que seja fiel e desempenhe frutuosamente a sua missão no mundo. Esta prática da oração em várias horas do dia fazem-na também os sacerdotes, os bispos, os religiosos e as religiosas e, hoje, igualmente alguns leigos que a adotaram.
Em concreto, os diáconos exercem o seu serviço no anúncio do evangelho e da catequese, nas celebrações litúrgicas e na caridade. Podem presidir a batismos, casamento e funerais, cuidar da formação dos ministros leigos em vários âmbitos e ocupar-se com outros do serviço da caridade aos mais necessitados e frágeis.
Na diocese de Leiria-Fátima, há atualmente 15 homens de várias paróquias a prepararem-se para virem a ser diáconos permanentes e servirem como tais nas paróquias, nas unidades pastorais e onde o bispo lhes ordenar.
Espero que o contacto e convivência com o diácono Miguel Francisco ajude a descobrir o carisma e o serviço próprio deste ministério.
