Casa cheia na celebração dos 50 anos de carreira de Le
Maria Manuela Jorge, a Lelita, que o público de Ourém tão bem conhece, regressou, aos 82 anos, ao palco do Teatro Municipal (TMO) para celebrar 50 anos de carreira, numa noite embalada pela música e pelo reencontro com amigos e antigos companheiros de estrada.
Carla Paixão
Na noite de sábado, 19 de setembro, o público chegou ao Teatro Municipal de Ourém (TMO) para ouvir Lelita ou, simplesmente, para a rever e abraçar. Maria Manuela Jorge, 82 anos, assinalou 50 anos de carreira e encontrou uma sala repleta de amigos, familiares e admiradores de longa data.
Lelita subiu ao palco acompanhada pelos Victoria, uma banda-personagem, com quem revisitou e reinterpretou alguns dos temas da sua discografia. O espetáculo contou ainda com a participação dos músicos Alberto Santos, Rui Sérgio e Sérgio Poupado, que se juntaram à artista ao longo da noite.
Entre canções, a história de cinco décadas de carreira da artista dos cabelos cor-de-rosa, foi aparecendo sem necessidade de uma cronologia rígida. Estava nas pessoas que a acompanhavam, nos temas que regressaram à sala e na familiaridade de quem a conhece há muito. E, muitas foram as vezes em que o público se levantou para a aplaudir de pé, com o “Bravo” a ouvir-se pela sala.
Em palco esteve uma parte importante da história cultural de Ourém. Lelita gravou quatro álbuns e mantém uma ligação à rádio local, ABC Portugal, que atravessa décadas. O seu percurso, porém, não ficou pela música. A pintura, o voluntariado e o associativismo foram acrescentando outras dimensões a uma atividade pública construída ao longo de meio século. De tudo, diz com emoção, o que mais gostou de fazer na vida, “a coisa mais bonita”, foi “ajudar as pessoas”, no tempo em que foi telefonista nos Bombeiros Voluntários de Ourém.
Foi entre memórias e canções que Ourém celebrou meio século de carreira de Maria Manuela Jorge. Mais do que uma retrospetiva, a noite resultou num encontro entre diferentes momentos da sua vida artística e pessoal, reunidos por algumas horas no mesmo palco. Um abraço coletivo a Lelita, feito de aplausos, afetos e do reconhecimento de quem continua a acompanhá-la e a celebrar a sua presença.
No final, depois de já ter cantado o tão pedido “Apita o Comboio”, acompanhada pelo público que enchia a sala, seguiram-se os autógrafos, as fotografias e as conversas que podiam prolongar-se noite dentro, entre abraços e cumprimentos.
Ao Notícias de Ourém, Lelita confessou estar “muito feliz”, embora, fiel à sua forma exigente de olhar para o palco, reconheça que “houve umas coisinhas que podiam ter corrido melhor”. Aos 82 anos, admite que “a idade já é outra”, e não deixa de sublinhar o apoio dos músicos, afirmando que “a rapaziada ajudou e no fim correu tudo bem”.
Quanto à vontade de continuar a cantar, não deixa dúvidas: “vou cantar até que as pessoas tenham paciência para me ouvir e a voz não me doa”.
O espetáculo “OLÁ, OLÁ, BOA NOITE, BOA NOITE” integrou a programação do Teatro Municipal de Ourém, numa coprodução entre o TMO e a Albardeira Associação Cultural, e foi transmitido em direto pela ABC Portugal.

