A inteligência artificial vs. a inteligência humana 

Editorial por Francisco Pereira

A inteligência artificial (IA) surgiu para facilitar a vida ao homem, sobretudo para o substituir nas tarefas mais repetitivas e aborrecidas, fazendo-as de forma mais rápida e eficiente. Em poucos anos, porém, evoluiu a um ritmo alucinante e passou a estar presente em quase tudo: no trabalho, nos smartphones, nos computadores, na indústria, no comércio, na logística, entre muitas outras áreas. 

Agora, os próprios líderes das grandes empresas de IA defendem que os seus avanços devem ser abrandados, por razões de segurança, e que é necessário maior controlo e regulação. A afirmação causa alguma estranheza. Afinal, não serão eles os principais interessados em que a inteligência artificial avance rapidamente? 

Como aconteceu com tantas outras tecnologias, do automóvel à internet, passando pelos telemóveis, também aqui existe todo um mundo de negócios e interesses. E a massificação das novas tecnologias traz benefícios, mas também problemas, como a poluição, a exploração desenfreada dos recursos naturais e novas formas de dependência. 

No caso da IA, a questão pode ser ainda mais inquietante. Não sabemos até onde poderá evoluir ou se, algum dia, poderá escapar ao controlo humano. Sabemos, contudo, que este é um caminho sem retorno. Há setores que já dificilmente funcionariam sem IA e, tal como já não imaginamos a vida sem internet, também começamos a não conseguir imaginar o mundo sem inteligência artificial. 

As tecnologias tornam-nos dependentes delas próprias e, por isso, há que aprender a utilizá-las com responsabilidade e criar regras antes que seja tarde. Neste capítulo, as escolas e as universidades podem desempenhar um papel importante, preparando as novas gerações não apenas para utilizar a IA, mas também para compreender os seus riscos e limites. 

Mas, apesar de todos os riscos que a IA possa representar, há uma ameaça que continua bem mais conhecida e perigosa: o próprio homem. É o homem que faz guerras, destrói recursos, polui e, muitas vezes, nada faz perante aquilo que sabe estar errado. 

Por isso, as preocupações não devem centrar-se apenas em saber até onde chegará a inteligência artificial, mas também em saber até onde chegará a inteligência humana para aprender a utilizá-la.