Entrevista Teresa Pereira | “Todos nós precisamos da floresta” 

Três meses após a Tempestade Kristin, o setor florestal encontra-se a meio gás. Os terrenos florestais encontram-se repletos de material lenhoso, com danos nunca vistos e mal preparados para um verão que se avizinha. O Notícias de Ourém conversou com Teresa Pereira, técnica de certificação florestal da 2BForest, acerca dos próximos passos para os proprietários dos terrenos afetados. 

EVA GOMES 

A 2BForest é uma empresa de certificação de gestão florestal. Pode explicar o que se pretende quando se fala em certificação florestal? 

Somos uma empresa que faz consultadoria a empresas do setor florestal. A certificação florestal é, por exemplo, aquele símbolo que vem em alguns produtos que vemos no supermercado com a etiqueta ESG. Significa que é proveniente de matas certificadas, ou seja, bem geridas. Isto é, que existe uma gestão sustentável, com os melhores métodos. Esta certificação serve para o consumidor final ter uma garantia da proveniência da matéria-prima. 

A 2BForest apoia o proprietário em termos técnicos em como gerir a sua propriedade. Ajudamos nas dúvidas que eles possam ter, e atuamos com as opções que existem no mercado, com as técnicas mais adequadas, a estabelecer prazos sustentáveis na manutenção dos territórios. 

Ou seja, falamos de matas que se enquadram nos parâmetros legais… 

E não só. Também trabalhamos com empresas da indústria transformadora da madeira. Para chegar ao final e ter a certificação do produto, todas as pessoas que detêm e produzem o produto têm de estar certificadas. Tanto proprietários florestais, como madeireiros. Isto implica auditorias anuais, que faço em nome da 2BForest, para garantir que está tudo dentro da lei e das práticas sustentáveis. 

Estas empresas são sujeitas a auditorias externas, feitas por entidades públicas. As nossas auditorias prévias funcionam como consultadoria, basicamente. Mas isto tem tudo em vista o futuro, a sustentabilidade da floresta. 

De que forma a certificação florestal é uma mais-valia para os proprietários? 

A madeira certificada é valorizada monetariamente. Tem um valor acrescentado.  Ou seja, a indústria da celulose paga mais de 4 euros ao metro cúbico, ou tonelada, pela madeira certificada. O proprietário pode até não sentir as mais-valias no imediato, mas a longo prazo acaba por ser positivo.  

Por exemplo, as campanhas de adubo são financiadas pela indústria da celulose. É verdade que a indústria ganha milhões, mas são os únicos que apoiam os proprietários florestais, que vivem da floresta, em muitos dos casos. 

Entrevista completa no Notícias de Ourém de 15 de maio de 2026