Diocese Leiria-Fátima | Falta de financiamento trava recuperação de património religioso após tempestade
O diretor do Departamento do Património Cultural da Diocese de Leiria-Fátima, Marco Daniel Duarte, alerta para a urgência de apoiar a reconstrução de edifícios religiosos, além do património classificado afetado pela tempestade Kristin.
“O património como o entendemos não é apenas o que está classificado”, disse à Agência ECCLESIA Marco Daniel Duarte, acrescentando que sem estes “vai perder-se uma importante carga identitária das comunidades”.
Santuário de Nossa Senhora da Encarnação
A destruição provocada pela intempérie de janeiro vai estar no centro da próxima emissão do programa ‘70×7’, gravada no interior do Santuário de Nossa Senhora da Encarnação. “Talvez a imagem mais icónica desta tempestade que assolou a região centro do país”, indicou Marco Daniel, em referência àquele espaço.
O monumento leiriense, que constitui um lugar de culto e de reunião comunitária, foi severamente atingido pelas condições meteorológicas adversas na região centro do país.
“Assistimos a uma reação solidária muito forte, mas é difícil o cidadão comum reconhecer que é preciso também ajudar a reerguer estes lugares”, assinala o diretor diocesano.
O especialista admite que a necessidade de recursos financeiros condiciona fortemente a recuperação destes edifícios históricos. “A forma de financiar este património é muito difícil de encontrar”, lamentou.
O diretor do Departamento do Património Cultural de Leiria-Fátima assume que há um maior “compadecer de situações de fragilidade humana”, apelando a uma maior consciencialização pública sobre a relevância de reerguer os lugares de culto.
“Há uma sensibilidade patrimonial que nós deveríamos ter ganho nas últimas décadas e que talvez ainda não esteja completamente adquirida”, advertiu.
A recuperação total do Santuário de Nossa Senhora da Encarnação, por exemplo, exige a articulação de apoios de várias entidades e instituições da sociedade.
“Todos nós queremos reconstruir esta igreja o mais depressa possível, mas todos nós também temos a certeza de que é preciso uma capacidade económica que a igreja não tem, que a confraria não tem, que a cidade não tem, que o próprio Estado provavelmente não terá”, concluiu o entrevistado.
(Fonte: AE)

