Teatro de Idade Maior estreia “Lunário Perpétuo – Almanaque Teatral”
Após o adiamento motivado pela passagem da Depressão Kristin pela região, o Grupo de Teatro de Idade Maior do Teatro Municipal de Ourém (TMO) regressa aos palcos com o espetáculo “Lunário Perpétuo – Almanaque Teatral”, que sobe à Sala Principal do TMO nos dias 13 e 14 de março, sexta-feira e sábado.
CARLA PAIXÃO
A peça, desenvolvida ao longo das últimas temporadas sob a direção do encenador Eduardo Dias, resulta de um trabalho formativo que alia a exploração das múltiplas linguagens do teatro à partilha de experiências de vida dos atores e atrizes do grupo.
O texto é assinado pelo dramaturgo Jorge Louraço e nasceu de uma residência artística que envolveu visitas às casas dos participantes, encontros com psicólogos do Serviço de Ação Social e Saúde de Ourém e a análise de objetos pessoais que representam memórias e histórias individuais.
“Não é bruxaria, atenção! Mas é quase…”
Inspirado nos antigos almanaques que começaram a circular na Península Ibérica no final do século XV, o espetáculo recupera o universo simbólico dessas publicações, que reuniam informações sobre o movimento dos astros, fundamentais para a navegação e para os ciclos agrícolas, misturando “conhecimento científico milenar, eternas superstições e sabedoria popular”. Obras como o Lunário Perpétuo, do século XVII, e o Almanaque Perpétuo, do século XV, serviram de inspiração para o tema, o título e a estrutura desta criação teatral.
A construção dramatúrgica partiu também de uma residência artística em que os elementos do elenco partilharam experiências de vida, mostraram os espaços que habitam e refletiram sobre as memórias e presenças invisíveis que marcam o quotidiano. A partir desse processo, o texto fixa-se na relação entre o mundo dos mortais e as entidades transcendentes, frequentemente mediada por objetos, imagens ou figuras simbólicas que estabelecem uma ligação “entre o aquém e o além”.
Sem revelar todos os contornos da narrativa, a sinopse adianta que é precisamente esse tipo de “mediunidade” que atravessa o espetáculo. “Não é bruxaria, atenção! Mas é quase…”, lê-se na apresentação da peça, que combina memória, imaginação e elementos do imaginário popular para construir a atmosfera cénica.
A componente cenográfica reforça o caráter intergeracional do projeto, contando com a colaboração dos alunos do 11.º ano do curso de Design, Cerâmica e Escultura do Colégio de São Miguel (Fátima). O trabalho incluiu encontros com o elenco e visitas ao teatro, permitindo que os estudantes criassem elementos inspirados no universo simbólico do lunário perpétuo, espaço que traduz o tempo, a memória e os ciclos da vida.
O espetáculo, que contempla uma dimensão formativa e cultural ampla, destina-se inicialmente ao público escolar e utentes de Estruturas Residenciais para Idosos (sexta-feira), seguindo no dia seguinte para apresentação ao público geral, às 21h30. Após a estreia em Ourém, “Lunário Perpétuo – Almanaque Teatral” terá itinerância a nível nacional.
Inspirado nos almanaques e lunários dos séculos XV e XVII, o espetáculo explora a relação entre memória, objetos e experiências pessoais, articulando passado e presente, o visível e o invisível, de forma a transformar memórias e saberes transmitidos pelos mais velhos em experiência artística.
Os bilhetes estão à venda em Bol.pt, lojas Worten, Fnac, CTT e na bilheteira do TMO (bilheteira.tmo@cm-ourem.pt | 916 591 231).

