Xtinto: “não se morre para os sonhos” 

Rapper oureense lança segundo álbum 

rapper oureense xtinto lançou, no passado dia 20 de fevereiro, o seu segundo álbum “Em sonhos, é sabido, não se morre”. A identidade, origens e as amizades são o centro deste projeto que fez com que xtinto não desistisse da música. O Notícias de Ourém esteve em conversa com o artista, sobre o álbum e sobre o hip-hop português

EVA GOMES 

“Em sonhos, é sabido, não se morre” é o segundo álbum do rapper oureense Francisco Santos, mais conhecido pelo seu nome artístico “xtinto”. Este projeto marca uma nova fase do artista, mais maduro e introspetivo.   

Com o concerto no Capitólio, em Lisboa, mesmo à porta, xtinto prepara-se para o seu primeiro concerto a solo numa grande sala. Na azáfama das preparações, o Notícias de Ourém esteve presente num dos seus ensaios, no Cercal.  

A equipa que acompanha xtinto é, toda ela, composta por amigos do concelho de Ourém. “É tudo cá da terra”, comenta. Estavam a ensaiar num espaço emprestado pela banda oureense In-the-cisos.  

Francisco Santos conta que o concerto no Capitólio vai ser diferente do habitual. O artista explica que está numa fase mais madura da sua vida, e mais experimental, sendo que vai combinar em palco vários instrumentos, como bateria, guitarra, e até um saxofone. 

 “O hip-hop por norma é mais de sampling, muito digital, quis fazer algo mais orgânico, que apenas os instrumentos tocados ao vivo permitem”, clarifica. 

Neste segundo álbum, o rapper aborda questões de identidade, fragilidade e reconstrução, demonstrando a sensibilidade e a maturidade, através do jogo fonético que o distingue no panorama da música urbana portuguesa. 

“Em sonhos, é sabido, não se morre” conta com colaboração de vários artistas portugueses, como iolanda, Ed, João Não e L-Ali. É assim um cruzamento de hip-hop contemporâneo, pop, alternativa, numa cacofonia mais emocional. 

single “Assunto Meu”, uma track crítica da apatia coletiva e a indiferença social, surgiu num “writing camp”, em Ourém. Xtinto juntou os seus amigos “de Ourém e os de Lisboa” num só local, para partilharem um momento de produção musical. 

“Não costumo falar de política nas minhas músicas, mas tinha a necessidade de expressar o que pensava sobre o que se passa no mundo hoje”, reflete o rapper

Uma curiosidade associada a este single é que o seu videoclipe foi gravado na taberna do Zé Raul, na cidade de Ourém. É uma homenagem às origens oureenses do artista, e ao espaço que tanto aprecia e o conecta a Ourém. 

Artigo completo no Notícias de Ourém de 27 de fevereiro de 2026