Viver em Ourém está mais caro
O preço mediano das casas vendidas atingiu 1.411 euros por metro quadrado no segundo trimestre de 2026. Ourém tem o terceiro valor mais elevado do Médio Tejo, enquanto as rendas dos novos contratos chegaram aos 6,90 euros por metro quadrado.
Carla Paixão
Comprar casa em Ourém está mais caro. O preço mediano das habitações vendidas no concelho atingiu 1.411 euros por metro quadrado nos 12 meses terminados no segundo trimestre de 2026, mais 23,4% do que no período homólogo e cerca de 49% acima do valor registado dois anos antes. Também as rendas estão a subir: a mediana dos novos contratos de arrendamento chegou aos 6,90 euros por metro quadrado, um aumento homólogo de 13,1%, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).
A subida coloca Ourém entre os concelhos mais caros do Médio Tejo. No mercado de compra e venda, só o Entroncamento, com 1.749 euros por metro quadrado, e Vila Nova da Barquinha, com 1.564 euros, apresentam valores medianos superiores. Tomar surge logo depois de Ourém, com 1.361 euros por metro quadrado, seguindo-se Torres Novas, com 1.201 euros. No conjunto dos municípios da região com dados disponíveis, Mação regista o valor mais baixo, de 355 euros por metro quadrado.
A diferença entre Ourém e os concelhos no topo da tabela não impede uma valorização expressiva. Entre o segundo trimestre de 2024 e o mesmo período de 2026, o preço mediano passou de 948 para 1.411 euros por metro quadrado, mais 463 euros. Para uma habitação de 100 metros quadrados, a diferença entre os dois valores equivale a cerca de 46.300 euros. Trata-se de uma comparação ilustrativa com base nas medianas de cada período, não do aumento verificado numa casa específica.
No arrendamento, Ourém apresenta igualmente valores elevados no contexto regional. A renda mediana dos novos contratos atingiu 6,90 euros por metro quadrado, abaixo dos 7,28 euros do Entroncamento e dos 7,22 euros de Tomar. Na outra extremidade da tabela, Mação registou 3,56 euros por metro quadrado. No conjunto do Médio Tejo, a renda mediana foi de 6,75 euros, com um aumento anual de 7%.
Em Ourém, a renda mediana passou de 5,70 euros por metro quadrado nos 12 meses terminados no segundo trimestre de 2024 para 6,90 euros no mesmo período de 2026, uma subida de cerca de 21%. Aplicado a uma habitação de 80 metros quadrados, o valor mais recente corresponde a uma renda mensal de aproximadamente 552 euros.
Estes valores dizem respeito aos novos contratos de arrendamento, pelo que não traduzem necessariamente as rendas pagas pela totalidade dos inquilinos. Também o preço mediano de venda se refere às transações efetivamente realizadas, e não aos valores anunciados no mercado. Além disso, as variações registadas podem refletir diferenças na localização e nas características das habitações vendidas em cada período.
Mais de 1.700 edifícios vazios
A subida dos preços contrasta com a existência de alojamentos vagos no concelho. A Carta Municipal da Habitação, com base nos Censos do INE, contabilizou 1.736 alojamentos familiares vagos para venda ou arrendamento em 2021, contra 971 em 2011. O aumento foi de 765 alojamentos numa década.
No entanto, a evolução não foi uniforme no território. Nas freguesias da cidade de Ourém (Nossa Senhora da Piedade e Nossa Senhora das Misericórdias), o número passou de 172 para 420 alojamentos vagos para venda ou arrendamento entre 2011 e 2021. Em Fátima, pelo contrário, diminuiu de 519 para 448. Nas restantes freguesias, aumentou de 280 para 868 alojamentos.
Os números não significam, porém, que todas estas casas estejam em condições de ser habitadas ou prontas a entrar no mercado. A categoria estatística abrange alojamentos vagos para venda ou arrendamento, mas não permite determinar quantos estão efetivamente disponíveis para ocupação imediata.
A Carta Municipal da Habitação, aprovada em 2025, prevê mobilizar imóveis devolutos e reforçar a oferta a preços acessíveis ao longo do período de 2025 a 2035. O plano estabelece como meta a disponibilização de 250 fogos de arrendamento acessível e inclui medidas de reabilitação de edifícios e de cooperação com entidades públicas e promotores privados.

