Sinistralidade: o perigo está nas nossas mãos 

Editorial por Francisco Pereira

Os números da sinistralidade rodoviária devem preocupar-nos. Ainda faltam alguns meses para terminar o ano e, no entanto, o número de acidentes graves e de vítimas mortais já ultrapassou os valores registados no ano passado. Os dados da sinistralidade são divulgados pela ANSR (Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária) em https://observatorioansr.pt. É um sinal de alarme que não podemos ignorar. 

Portugal tem hoje mais residentes e recebe mais turistas, o que significa também mais pessoas e mais veículos a circular nas nossas estradas. Os automóveis dispõem, cada vez mais, de sistemas de segurança destinados a prevenir acidentes e a reduzir a gravidade das suas consequências e, ainda assim, os acidentes estão a aumentar. 

O estado de muitas estradas, com pavimentos degradados e condições que estão longe de ser as ideais, contribui certamente para o problema, mas não explica tudo. Uma parte significativa da sinistralidade continua a resultar de comportamentos que dependem de cada um de nós, como conduzir sob o efeito do álcool, utilizar o telemóvel ao volante, exceder os limites de velocidade ou simplesmente assumir riscos desnecessários. 

É certo que há fatores que não controlamos, mas há outros que estão nas nossas mãos e que, demasiadas vezes, ignoramos. 

É urgente reforçar a fiscalização, melhorar as condições das vias e adotar medidas públicas mais eficazes de combate à sinistralidade. Mais urgente ainda, e seguramente mais eficaz, é mudarmos os nossos comportamentos ao volante.  

Na estrada, uma distração, um excesso de velocidade ou uma decisão irresponsável são fatores que podem fazer a diferença entre chegar a casa ou não chegar. Não podemos encarar os números da sinistralidade como uma inevitabilidade.