Ajudar quem ajuda
Editorial por Francisco Pereira
O Cortejo de Oferendas dos Bombeiros Voluntários de Ourém, que habitualmente se realiza de quatro em quatro anos, é já uma tradição local que continua a fazer sentido. Este ano, tem data marcada para 4 de outubro.
Nos próximos tempos, será, por isso, natural encontrar, pelas freguesias do concelho, bombeiros e equipas de voluntários, devidamente identificados, a promover peditórios. Os donativos da comunidade continuam a ser uma importante fonte de financiamento das associações humanitárias e o resultado do cortejo permite, muitas vezes, concretizar investimentos extraordinários, como a aquisição de ambulâncias, veículos especiais ou outros equipamentos que dificilmente seriam possíveis apenas através das fontes de financiamento regulares. Atualmente, o financiamento das associações de bombeiros resulta de uma combinação de verbas públicas do Estado, apoios das autarquias locais, receitas dos serviços prestados e donativos da comunidade.
O modelo de bombeiros assente no voluntariado está em mudança e os corpos de bombeiros dependem cada vez mais de estruturas profissionais, nomeadamente através das Equipas de Intervenção Permanente, cujo financiamento é assegurado pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e pelos municípios. Mas, apesar da crescente profissionalização, é importante que não se perca o espírito de voluntariado e de missão que tão bem caracteriza esta nobre farda.
As ocorrências são cada vez mais numerosas e exigentes, são incêndios de grandes dimensões, acidentes complexos, emergências médicas, catástrofes naturais e tantos outros cenários que requerem preparação, rapidez e meios adequados. É, por isso, importante ajudar quem nos ajuda, garantindo aos bombeiros as melhores condições para cumprirem a sua missão.
Porque quando tudo o resto falha (por vezes até o próprio Estado, perante uma catástrofe) os bombeiros continuam a ser o último reduto de esperança na salvaguarda da vida e dos nossos bens. Estão sempre lá para nos acudir, para nos proteger, para ajudar quem precisa. Ajudá-los é, afinal, ajudar-nos a todos.

