Quando o jornal chega tarde
Editorial por Francisco Pereira
Nas últimas semanas temos recebido várias queixas de leitores sobre atrasos na entrega do Notícias de Ourém. Durante muito tempo, os assinantes habituaram-se a encontrar o jornal na caixa de correio à sexta-feira, pelo menos os residentes em território nacional. No entanto, ultimamente há quem o receba apenas na segunda-feira seguinte, ou até mais tarde, situação que eu próprio, enquanto diretor, tenho experienciado.
Pode parecer um detalhe, mas num jornal o tempo conta. Há notícias que mantêm atualidade mesmo dias depois, mas outras não. É o caso da nossa agenda de eventos, que pretende informar a comunidade sobre iniciativas culturais ou recreativas da região. Quando o jornal chega tarde, o leitor vai encontrar atividades que, entretanto, já aconteceram.
Quando recentemente fomos afetados pela tempestade que todos recordamos, pensámos que isso poderia explicar os atrasos. No entanto, mesmo com a vida a regressar gradualmente à normalidade, a situação tem persistido.
Talvez isto seja, também, reflexo de algo mais profundo, a degradação dos serviços públicos a que temos assistido nos últimos anos. Os CTT, embora sejam hoje uma entidade privada, asseguram, ou deviam assegurar, um serviço público essencial: os serviços postais.
Da nossa parte, procuraremos, junto dos CTT, perceber o que está a acontecer e encontrar soluções que permitam recuperar a regularidade da distribuição do jornal. Ainda assim, pedimos a compreensão dos leitores para esta falha, que nos entristece tanto quanto a quem espera o jornal. Porque quando o nosso trabalho está concluído, o que mais desejamos é que ele chegue atempadamente às mãos de quem o lê.
