Dia de Todos os Santos | Os adultos também vão ao Bolinho
Como manda a tradição, no Dia de Todos os Santos as crianças saem à rua para pedir o bolinho. Mas este costume também é dos mais velhos, que, em localidades como Pelmá, se juntam para pedir o bolinho à maneira adulta.
Eva Gomes
A 1 de novembro, Dia de Todos os Santos, as ruas do concelho de Ourém e concelhos vizinhos encheram-se de crianças com um só objetivo: pedir o bolinho.
Os bolos e broas doces feitos dias antes já não os únicos a encher os saquinhos de pano. Há gomas, chocolates e rebuçados a serem trocados de mão em mão. Na sua maioria, saem à rua pela manhã, para de tarde poder aproveitar o “saque”. Alguns, só vão de tarde, porque dá mais jeito.
É o caso de um grupo de meninas, acompanhadas pela avó, que se cruzam com o Notícias de Ourém, em Caxarias. Perto da Igreja de Caxarias, vinham com os sacos em riste, prontas para receber o bolinho.
A avó, que não quis ser identificada, conta que só vieram de tarde pedir o bolinho porque “de manhã estão em família”. Depois da rota estar completa, iam ter com “os primos, para brincarem e partilharem os doces”.
Em Pelmá, a história é um pouco diferente. Um grupo de amigos de longa data mostra que o Dia do Bolinho também é para os adultos.
12 anos juntos
Edgar Duarte, presidente de junta de freguesia de Pelmá, recebe-nos à porta da primeira casa. É aqui que os amigos e vizinhos da Estrada de S. João Baptista se reúnem. Depois, vão percorrer cada casa dos membros do grupo.
A mesa encontra-se repleta de doces típicos da época, como o bolinho, tremoços e frutos secos e vinho novo. A animação é contagiante.
Miguel, que chegou mais tarde, conta que esta tradição já é muito antiga. “Do tempo dos nossos avós, talvez”, afirma.
O convívio em cada casa é quase cronometrado. Cerca de 20 minutos chegam para beber um copo, comer um pouco de bolo ou outros petiscos e seguir caminho.
Sónia relata que, na época dos seus pais, “os adultos iam à casa de toda a gente da rua, mas agora só vamos aos do que participam neste grupo para ser mais prático”. A alvaiazerense afirma que esta tradição não é exclusiva de Pelmá.
“Em Formigais, há também um grupo que se reúne todos os anos, em moldes semelhantes. A ordem das casas é rotativa: num ano começam numa e acabam a comer caldo verde noutra, e vice-versa”, explica Sónia.
Há 12 anos que este grupo da Estrada de S. João Baptista se junta. Comentam que querem passar a tradição aos filhos, para que nunca morra.
Teresa, apesar da idade já avançada, também participa nesta festividade. Muito animada, escreve todos os anos uns versos, que partilha com todos no final da tarde, por entre copos e sopa.
Assim se celebrou o Dia de Todos os Santos, num espírito de comunidade e tradição e com os versos que a Dona Teresa nos deixou:
«Foi um dia bem passado
Estamos todos de parabéns
Já estamos preparados
Para voltar o ano que vem»


