Urqueira continua às escuras meses depois da tempestade
Há ruas e lugares sem iluminação pública e postes e cabos danificados desde a tempestade Kristin. Junta diz que os pedidos estão registados, mas que “no terreno tudo permanece praticamente igual”.
Carla Paixão
Quase oito meses depois da tempestade Kristin, a reposição da iluminação pública continua por concluir em vários pontos da freguesia de Urqueira, no concelho de Ourém. A Assembleia de Freguesia aprovou em julho uma moção a pedir uma intervenção urgente. Agora, o presidente da Junta, Orlando Cavaco, volta a alertar para a persistência do problema.
“Estamos quase no final de setembro e continuam a existir situações que nos preocupam e que não podemos deixar de assinalar”, afirma o autarca em resposta ao Notícias de Ourém. O caso mais evidente, aponta, é o do Estreito, onde “permanece praticamente todo um lugar sem iluminação pública”.
“O lugar do Estreito está dividido por duas freguesias, Urqueira e Casal dos Bernardos, ao todo devemos estar a falar de 90 pessoas sem iluminação pública à noite”, conta Orlando Cavaco.
A situação não se limita, contudo, àquele lugar. “Existem ruas inteiras sem luz, ainda muitas lâmpadas por substituir e luminárias avariadas em diferentes pontos da freguesia”, acrescenta.
A falta de iluminação é uma das consequências que a freguesia ainda associa aos danos provocados pela tempestade de 28 de janeiro. A Assembleia de Freguesia reconhece a dimensão dos estragos e o trabalho desenvolvido na reposição da rede elétrica, mas considera que o tempo entretanto decorrido exige respostas concretas e uma calendarização para as intervenções que continuam pendentes.
Além da falta de iluminação, a população queixa-se das estruturas danificadas que permanecem espalhadas pela freguesia. “Continuam no terreno cabos e postes caídos ou danificados, situações que, para além de degradarem o espaço público, podem representar riscos para pessoas, animais e veículos”, nota Orlando Cavaco.
A situação torna-se mais preocupante, reconhece o autarca, com a chegada do inverno. “A falta de iluminação pública representa um problema de segurança, sobretudo para os peões, mas também para todos aqueles que circulam nas nossas estradas.”
Pedidos sem resposta no terreno
A Junta diz ter comunicado as avarias através da plataforma disponibilizada pela E-REDES, na sequência dos alertas feitos pela população. O problema, segundo Orlando Cavaco, está no acompanhamento das ocorrências.
“A Junta de Freguesia tem cumprido a sua parte. Temos vindo a comunicar as avarias transmitidas pela população e a solicitar a substituição das lâmpadas através da plataforma disponibilizada pela E-REDES”, esclarece Orlando Cavaco.
Mas, apesar dos pedidos registados, nem sempre há correspondência entre o que consta da plataforma e o que acontece no terreno. “O problema é que, em muitos casos, os pedidos estão registados, mas no terreno tudo permanece praticamente igual”, reforça o autarca.
A falta de informação coloca a autarquia perante uma dificuldade adicional. São os moradores que procuram a Junta para saber quando os problemas serão resolvidos. “E é esta a dificuldade que enfrentamos diariamente. A população contacta a Junta de Freguesia, pede respostas e quer saber quando os problemas serão resolvidos. Nós compreendemos a dimensão dos trabalhos, mas também precisamos de respostas concretas para poder responder às pessoas”, reforça o presidente da Junta.
Esta é uma das questões centrais da moção aprovada em julho. O documento reclama uma articulação mais eficaz entre a E-REDES e as autarquias locais, para que as juntas possam conhecer o estado das intervenções e transmitir essa informação às populações.
A Assembleia de Freguesia pediu ainda à E-REDES um levantamento global das situações que permanecem pendentes na freguesia na sequência da tempestade Kristin. À ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos) solicitou que avaliasse a situação e diligenciasse, dentro das suas competências, junto das entidades responsáveis.
Apesar da demora na resolução de algumas situações, Orlando Cavaco faz questão de separar as críticas à persistência dos problemas do trabalho desenvolvido pela E-REDES desde a tempestade.
“Quero, no entanto, deixar uma palavra de reconhecimento pelo trabalho realizado pela E-REDES e pelos seus técnicos ao longo destes últimos meses”, afirma. O presidente da Junta admite a dimensão dos danos provocados pela Kristin, mas entende que, ultrapassada a fase mais crítica, é tempo de concluir o que permanece por fazer. “Todos temos consciência da dimensão extraordinária dos estragos provocados pela tempestade Kristin, mas, precisamente porque reconhecemos esse esforço, entendemos também que é agora necessário acelerar a resolução das situações que continuam pendentes na freguesia de Urqueira.”
A população, acrescenta, tem mantido uma atitude de compreensão perante a dimensão dos danos. Mas o presidente da Junta entende que essa compreensão não pode significar a aceitação indefinida dos problemas.
“A população da freguesia tem demonstrado uma enorme compreensão perante as dificuldades provocadas pela tempestade. Mas essa compreensão não pode significar que nos resignemos a situações que se prolongam indefinidamente”, afirma o presidente.
A expectativa da Junta é que os trabalhos avancem antes do inverno. “Desejamos que, com a chegada do inverno, as nossas ruas e lugares tenham iluminação, que os postes e cabos danificados sejam repostos e que os problemas ainda existentes sejam finalmente resolvidos.”

