Ourém | Ano letivo arranca com mais alunos e mais turmas

São 7.606 os alunos que começam o ano letivo nas escolas de Ourém, mais 107 do que há um ano. O número de turmas também aumenta, de 345 para 354. O concelho tem ainda mais professores e assistentes operacionais, num ano letivo em que a população escolar volta a crescer e reúne alunos de 52 nacionalidades.

Carla Paixão

O ano letivo 2026/2027 arranca em Ourém com mais alunos, mais turmas e mais profissionais nas escolas. Ao todo, são 7.606 os estudantes que iniciam o novo ano escolar no concelho, mais 107 do que no ano passado, o que corresponde a um crescimento de 1,43%. O número de turmas acompanha esta evolução e passa de 345 para 354, um aumento de 2,61%. 

Os números foram apresentados pelo presidente da Câmara de Ourém, Luís Miguel Albuquerque, na receção aos docentes que vão lecionar no concelho, na quarta-feira, 9 de setembro, no Teatro Municipal de Ourém (TMO). Antes, o Município tinha promovido uma sessão destinada ao pessoal não docente, num arranque de ano letivo marcado pela preocupação em reforçar a capacidade de resposta das escolas perante uma população escolar em crescimento. 

A evolução é transversal aos diferentes níveis de ensino. O pré-escolar reúne 1.263 crianças, o 1.º ciclo 1.904 alunos, o 2.º ciclo 1.018, o 3.º ciclo 1.495, o ensino secundário regular 935 e o ensino profissional 991. 

É no 2.º ciclo que se verifica a subida mais expressiva, com mais 63 alunos, num crescimento de 6,6%. Também aqui o aumento do número de turmas é significativo, passando de 42 para 45, uma subida de 7,14%. 

O crescimento da população escolar ocorre num concelho cuja moldura humana das escolas tem vindo também a mudar. Há atualmente 1.444 alunos estrangeiros, mais 29 do que no ano anterior, provenientes de 52 nacionalidades. Representam cerca de 19% da população escolar. 

Para Luís Miguel Albuquerque, esta evolução é um dado positivo, mas coloca igualmente novas exigências ao sistema educativo. “Temos mais alunos, mais turmas e uma comunidade educativa cada vez mais diversa”, reconhece o autarca. A resposta, acrescenta, passa por aumentar a capacidade das escolas, melhorar os equipamentos e assegurar condições que permitam “garantir igualdade de oportunidades”. 

Mais alunos e mais turmas obrigam a reforço dos recursos 

A subida do número de alunos traduz-se diretamente na organização da rede escolar. O pré-escolar passa de 59 para 60 turmas, o 1.º ciclo de 93 para 95, o 2.º ciclo de 42 para 45, o 3.º ciclo de 68 para 70 e o secundário regular de 38 para 39. No ensino profissional mantêm-se as 45 turmas existentes no ano anterior. 

A acompanhar este crescimento está também um reforço dos recursos humanos. A comunidade educativa do concelho conta este ano com 680 docentes e 310 trabalhadores não docentes, respetivamente mais 10 professores e 12 profissionais não docentes do que em 2025/2026. 

O município anunciou ainda a admissão de 20 novos assistentes operacionais, uma decisão justificada pelo aumento do número de alunos e turmas. 

“Os dados deste ano são positivos e merecem ser analisados com atenção”, afirma Luís Miguel Albuquerque. “Temos mais 107 alunos e mais nove turmas, verificando-se crescimento em todos os níveis de ensino.” 

Literacia financeira nas AEC 

A Câmara mantém, ao mesmo tempo, a aposta em respostas complementares à atividade letiva. Nas Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC) será introduzida este ano uma nova valência dedicada à literacia financeira, durante um semestre. O objetivo, explica o presidente, é “proporcionar aos alunos competências que possam ter utilidade para a vida quotidiana”. 

Mantém-se também o trabalho da equipa multidisciplinar do Centro Local para a Promoção do Sucesso Educativo. 

Cerca de 700 mil refeições 

Entre as respostas asseguradas pelo município estão ainda as refeições, os transportes e a ação social escolar. Para o novo ano letivo estão previstas cerca de 700 mil refeições nos estabelecimentos públicos abrangidos pelo serviço. 

As refeições são gratuitas para os alunos integrados no escalão A da Ação Social Escolar e comparticipadas em 50% para os do escalão B. Atualmente, 570 alunos beneficiam do primeiro escalão e 820 do segundo. 

Para além das refeições, os alunos do 1.º ciclo abrangidos pela Ação Social Escolar têm apoio para fichas e material escolar e para visitas de estudo. O município assegura ainda transporte para uma visita de estudo a todos os alunos do pré-escolar e do 1.º ciclo e mantém os vouchers para utilização no comércio local durante o período do Natal, com valores diferenciados consoante o escalão. 

A estrutura educativa municipal parte, assim, de um quadro em que a população escolar cresce, mas também se torna mais diversificada. O aumento de alunos estrangeiros, quase um em cada cinco estudantes, é um dos indicadores mais evidentes dessa transformação. 

650 mil euros em obras em curso 

O arranque do ano letivo acontece também com intervenções ainda em curso em vários estabelecimentos de ensino. O município contabiliza 650 mil euros de investimento atualmente em execução, enquanto os procedimentos em curso para recuperação e melhoria das escolas ascendem a cerca de 1,25 milhões de euros. 

Parte destas intervenções está diretamente relacionada com os danos provocados pela tempestade Kristin, que atingiu o concelho em janeiro.  

As obras, explica Luís Miguel Albuquerque, “não puderam começar mais cedo devido aos procedimentos administrativos necessários, mas deverão ficar concluídas a curto prazo” e, segundo o autarca, “não deverão influenciar o normal funcionamento das escolas”. 

“O objetivo não é simplesmente ter mais alunos” 

Na receção aos professores, o presidente da Câmara apresentou ainda um retrato mais abrangente do sistema educativo local, defendendo que o crescimento da população escolar acompanha uma imagem positiva do concelho enquanto território com capacidade para atrair e fixar população. 

Ourém apresenta, segundo os dados mais recentes referidos pelo município, uma taxa de sucesso educativo superior à média nacional. Luís Miguel Albuquerque associa esse desempenho ao investimento realizado nas escolas, mas também a outras dimensões da vida concelhia, como a segurança, a cultura e o ambiente, e, sobretudo, ao trabalho desenvolvido por professores e trabalhadores não docentes. 

Para lá dos números, Luís Miguel Albuquerque sublinha que o aumento da população escolar não é, por si só, o objetivo. “O nosso objetivo não é simplesmente ter mais alunos”, afirma. “É garantir que cada um dos 7.606 alunos que hoje frequenta as nossas escolas encontra em Ourém condições para aprender, crescer e construir o seu futuro.” 

A sessão de abertura do ano letivo incluiu ainda uma homenagem aos professores do concelho que se aposentaram no último ano. Seguiu-se a palestra “A Escola como Casa do Futuro”, conduzida por Madalena Vitorino e Ricardo Falcão, centrada na relação entre educação, cultura e sociedade, com referências à interculturalidade, inteligência artificial, inteligência emocional e ao papel da arte na transformação dos espaços escolares.