Mercearia tradicional em Amoreira resiste ao avanço das grandes superfícies
A Tasca da Minda, na aldeia de Amoreira, Fátima, é mercearia, taberna e memória. Uma espécie de tasca-museu, onde há quem entre para fazer as compras do dia ou beber um copo ao balcão, mas também quem passe a porta apenas para visitar a antiga cabine telefónica da terra. Daniel Pereira, o merceeiro, assumiu o negócio da família em 2024 e quer fazê-lo evoluir sem lhe roubar a essência, mantendo o lema de “uma casa para todos”.
Carla Paixão
Na Tasca da Minda, a passagem do tempo está à vista nos objetos que ficaram. Dentro da loja, resiste a antiga cabine telefónica, com o telefone preto de disco, ainda ligado aos fios, pousado sobre uma prateleira de pedra mármore gasta pelos anos. Na parede, está colada uma lista telefónica escrita à mão. Há quem entre apenas para recordar outros tempos e visitar aquela que é uma das memórias mais singulares da aldeia.
Por todo o lado, fotografias antigas, pósteres de equipas de futebol e garrafas de refrigerantes de outros tempos compõem a decoração da taberna. São elementos que permanecem praticamente como eram e que fazem do espaço uma espécie de tasca-museu. Ao balcão da taberna, servem-se taças de tinto e “minis”. Na “venda” havia-se os fregueses, vizinhos, família e amigos.
A Tasca da Minda é um negócio de família que atravessou gerações e resistiu ao desaparecimento de muitas das pequenas mercearias e tabernas da região, vencidas pela concorrência das grandes superfícies e pela mudança dos hábitos de consumo.
“Desde pequeno que ando aqui. A minha avó já ajudava, e eu acompanhava-a. Estou ligado a esta casa há muitos anos. Entretanto, quando o meu pai faleceu e minha tia quis deixar o negócio, tomei conta disto”, conta Daniel Pereira, atual proprietário da Tasca da Minda.
A história começou nos avós, passou pela tia e chegou a Daniel. Antes de assumir a Tasca, já conhecia o balcão, os clientes e os ritmos da casa. “Começou nos meus avós, passou para a minha tia e agora está connosco. É uma continuidade na família”, explica. A transição, diz, acabou por ser natural. Já ajudava quando era preciso e as pessoas da terra conheciam-no.
Artigo completo do Notícias de Ourém de 4 de setembro de 2026

