Ações de protesto em Fátima e Leiria | Sindicato acusa patrões da hotelaria de bloquearem negociação coletiva
Ações de protesto promovidas pelo Sindicato de Hotelaria do Centro decorreram na sexta-feira, no âmbito de uma iniciativa nacional da FESAHT/CGTP-IN. Estrutura sindical acusa associações patronais de recusarem negociar a revisão dos contratos coletivos de trabalho.
Carla Paixão
O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Centro promoveu, na sexta-feira, 21 de agosto, duas ações de protesto e esclarecimento em Fátima e Leiria para denunciar o que considera ser um bloqueio à contratação coletiva no setor.
As iniciativas decorreram no âmbito da Ação Nacional de Luta no Turismo, promovida pela FESAHT/CGTP-IN, e tiveram como objetivo chamar a atenção para a ausência de resposta das associações patronais às propostas de revisão dos Contratos Coletivos de Trabalho apresentadas pelos sindicatos.
Em Fátima, a ação decorreu durante a manhã, nas imediações do Hotel Cinquentenário. Durante a tarde, os dirigentes sindicais deslocaram-se ao Jardim Luís de Camões, em Leiria, onde prosseguiram as ações de protesto e contacto com trabalhadores e população.
Segundo o sindicato, o impasse nas negociações mantém “centenas de milhares de profissionais” a auferir apenas o Salário Mínimo Nacional, situação que, defende, “impede a valorização dos salários e dos direitos dos trabalhadores”.
Ao Notícias de Ourém, António Baião, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Centro, considerou que as ações decorreram “com grande êxito e elevação”, permitindo denunciar os baixos salários praticados no setor e esclarecer os trabalhadores sobre as razões do bloqueio à negociação coletiva.
“Os dirigentes do sindicato foram bem recebidos por trabalhadores, deixando indicações para futuros contactos”, afirmou. Também entre a população e os clientes dos estabelecimentos de restauração e hotelaria, acrescentou, houve “muita compreensão e solidariedade”.
O dirigente sindical referiu, contudo, que se registaram alguns momentos de tensão com empresários. “Existiram aqui e ali alguns embates com alguns patrões que manifestaram nervosismo”, afirmou, considerando que esses episódios indiciam “grande receio” relativamente ao trabalho de esclarecimento e denúncia desenvolvido pelo sindicato.
O Notícias de Ourém contactou a AHRESP – Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal para obter um posicionamento sobre as acusações apresentadas pelos sindicatos, nomeadamente quanto ao alegado bloqueio das negociações coletivas. Até ao fecho desta edição, não foi possível obter resposta.

