Apresentação pública dos novos Meios e Equipamentos de Proteção Civil e Defesa da Floresta  | Prevenção e ataque a incêndios 

Durante o período mais crítico de incêndios florestais, o dispositivo regional contará com 136 equipas, 448 operacionais, 135 veículos, 4 máquinas de rasto, uma força operacional de 107 equipas e 384 operacionais, a par de equipas de sapadores florestais da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro. A sua apresentação decorreu na quinta-feira, dia 14, no Sardoal.

 AURÉLIA MADEIRA

Na quinta-feira, dia 14 de maio, teve lugar, no Sardoal, a apresentação pública do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) 2026.  

Os novos Meios e Equipamentos de Proteção Civil foram cedidos pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e envolvem todos os Municípios que a compõem, num investimento global superior a 4 milhões de euros, sendo cofinanciados pela União Europeia, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), no âmbito do Programa Centro 2030 (85%), tendo os Municípios suportado a componente nacional do investimento (15%). Quanto aos equipamentos da equipa de sapadores florestais, estes foram cedidos pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), através de financiamento no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

 Uma cerimónia simples 

A apresentação contou com “uma cerimónia simples”, como foi designada pelo Comandante Sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Médio Tejo, David Lobato, onde foram apresentados alguns dados e “uma pequeníssima amostra daquilo que é um enorme dispositivo de veículos e de pessoas”. Pessoas que o comandante destaca “pelo trabalho extraordinário que têm feito”. David Lobato apontou a união existente nesta região onde, afirma, “temos feito um trabalho magnífico”.  

O responsável mencionou também a importância dos presidentes das Juntas de Freguesia que são os primeiros a enfrentar os problemas e a quem desafiou para a criação “de mais unidades locais de proteção civil, porque, efetivamente, os kits de junta têm feito muita diferença na nossa sub-região”. 

“Ataque inicial musculado” 

Para este ano, mantém-se a estratégia de um “ataque inicial musculado”, bem como “o pré-posicionamento preventivo de meios nas zonas de maior risco da região” até porque, como sublinhou David Lobato, “as consequências das tempestades do início do ano dificultarão o combate aos incêndios devido à dificuldade de acesso aos terrenos florestais e ao material combustível acumulado”. 

O dispositivo DECIR entrou na passada sexta-feira, 15 de maio, na fase Bravo, seguindo-se a fase Charlie em, junho, e a fase Delta, entre julho e setembro, período de maior empenhamento operacional. 

Alguns números 

Durante o período mais crítico (fase Delta), o dispositivo contará com 136 equipas, 448 operacionais, 135 veículos e 4 máquinas de rasto, pertencentes aos municípios de Abrantes, Ferreira do Zêzere, Mação e à CIM Médio Tejo/ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas. 

Os corpos de bombeiros terão uma força operacional de 107 equipas e 384 operacionais, a par de equipas de sapadores florestais da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS) da GNR e da Afocelca (Agrupamento Complementar de Empresas para Proteção contra Incêndios ACE). 

No que respeita a meios aéreos, também na fase Delta, o DECIR prevê até quatro aeronaves, entre helicópteros bombardeiros ligeiros e pesados, embora, em caso de necessidade, possam ser solicitados mais meios a outras regiões. 

O dispositivo para 2026 é idêntico ao de anos anteriores, contando com menos uma equipa de combate e menos uma equipa de apoio logístico, devido à escassez de recursos humanos nos corpos de bombeiros, mas que, segundo David Lobato, sendo residual, não é uma situação preocupante. 

David Lobato destacou ainda o reforço do uso de retardante, com maior capacidade de aplicação. Além de Santarém, os centros de Proença-a-Nova e Cernache do Bonjardim (Sertã) passam a ter aeronaves equipadas para este recurso, que será também utilizado por helicópteros ligeiros e médios. 

Em defesa do comando sub-regional 

Com o anfiteatro do Centro Cultural Gil Vicente cheio, a apresentação do DECIR 2026 contou também com intervenções de Jorge Valamatos, Presidente da CIM Médio Tejo e da Comissão Distrital de Proteção Civil, e de Pedro Rosa, Presidente da Câmara do Sardoal. 

Ambos sublinharam a excelência do trabalho desenvolvido pelo comando sub-regional do Médio Tejo, no planeamento e combate aos incêndios rurais, defendendo a manutenção desta estrutura e considerando que uma nova reestruturação da ANEPC representaria um retrocesso na gestão do território. Mais, Valamatos manifestou-se absolutamente contra essa possibilidade, afirmando defender o comando sub-regional “em todos os fóruns” e garantindo que, “se noutros sítios as coisas correm mal, aqui correm muito bem”, pelo que, defende, “não se extingue o que funciona bem”.